Desastres criam geração de sequelados
Londrina - O ortopedista Marcus Vinícius Danieli, de Londrina, revela que "não tem um dia que não chega nos prontos-socorros da cidade pelo menos uma vítima de acidente de moto". Estamos vivendo uma geração de sequelados", destaca.
De acordo com ele, todo trauma de alta energia, mesmo que não se tenha fratura, gera alguma sequela. "Dizemos que o para-choque da moto é a perna do motoqueiro, pois é onde se absorve todo o impacto. No dia a dia, vemos muita fratura de tíbia, pés, joelhos e fêmur, e o processo de reabilitação é muito longo. Os membros ficam sem força, com dor. Tudo isso perde função e a pessoa não consegue recuperar o mesmo
nível de atividade que tinha antes do trauma", conclui.
"A mudança na vida dessas pessoas é muito grande. Tem um rapaz que era atleta, inclusive com índice olímpico, e depois do acidente perdeu a chance de concorrer. Então, a frustração é muito grande porque a pessoa tem que abrir mão das atividades de lazer e até de tarefas diárias. Além disso, vemos uma predominância de homens jovens que estão no auge da idade produtiva", ressalta.
O estudo feito pelo docente de Fisioterapia da UEL Daniela Wosiack da Silva ainda revelou um desgaste muito grande na família das vítimas. No relato de 57 delas, houve alterações na vida familiar, como trauma por medo de um novo acidente e sobrecarga no processo de reabilitação dos motociclistas. "Vemos o quanto as famílias ficam fragilizadas, com medo que esse motociclista venha a se envolver novamente em um acidente, pois muitos têm a moto como opção de trabalho e não podem abrir mão, justamente pelo sustento familiar. Fora isso, sempre uma pessoa da família tem que deixar de trabalhar para ser cuidador desse paciente. O processo de reabilitação é caro, demorado e reflete diretamente nos projetos de vida pessoal e profissional", diz.
O medo de se acidentar novamente foi um relato unânime entre as vítimas (80%) e 56 motociclistas decidiram deixar definitivamente de andar de moto, por trauma ou devido a sequelas físicas. Além disso, entre aqueles que tinham ocupação profissional no momento do acidente, 91% tiveram que se afastar do trabalho, 36% se referiram a alterações no desempenho de suas atividades laborais, 13% mudaram de ocupação e cerca de 10% permaneciam afastados do emprego.(M.O.)





