Campina Grande do Sul- A rodovia Régis Bittencourt (BR-116), que liga São Paulo a Curitiba, pode sofrer interdição total em Campina do Grande do Sul, onde ocorreu a queda de uma ponte na noite de terça-feira. A outra ponte, que passou a receber todo o tráfego - cerca de 15 mil veículos por dia - também está ameaçada. O aterro de sustentação da cabeceira cedeu e apresenta fissuras. ''Se houver risco, vamos interditar. A segurança vem em primeiro lugar'', disse o diretor-geral do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT), Alexandre Silveira, ao inspecionar o local ontem de manhã.
''Risco existe, mas precisamos avaliar sua real dimensão, antes de tomar uma decisão'', afirmou o coordenador de Estruturas do órgão, Eduardo Calheiros. A avaliação depende dos aparelhos de medição da estabilidade do aterro que começaram a ser instalados hoje. O local estará sendo monitorado continuamente pelos engenheiros do DNIT.
Segundo Calheiros, será construído um muro de contenção em concreto para segurar a terra, que será compactada com o uso de tirantes. A ocorrência de chuvas é considerado um grande fator de risco. ''Se continuar chovendo, a fissura no aterro pode aumentar. Aí será prudente fechar a ponte'', avaliou. O tempo melhorou de manhã, mas voltou a ficar instável no fim da vistoria do diretor do DNIT. A garoa fina preocupou coordenador do órgão no Estado, Rosalvo de Bueno Gizzi.
Ele planejava colocar máquinas para iniciar a contenção do aterro a partir de hoje. ''Com o terreno muito molhado fica difícil.'' Funcionários trabalhavam na limpeza dos drenos da ponte remanescente. A ponte que caiu deve ser recuperada, segundo Gizzi.
A estrutura remanescente passará por avaliação técnica. ''Pelo que já pudemos ver, o restante da estrutura não foi afetado.'' O diretor-geral quer pressa na obra. Ele decretou ontem estado de emergência no trecho da estrada.
Essa providência permite a contratação dos serviços sem a licitação que, segundo ele, é um processo demorado. Com a reforma, a ponte vai ganhar 20 metros a mais. ''Vamos estender a cabeceira até um ponto mais firme do terreno'', explicou Gizzi. As obras foram estimadas em R$ 2 milhões e devem demorar cerca de seis meses.
Dois dias depois do acidente que causou a morte de uma pessoa, deixou três outras feridas e afetou o trânsito entre São Paulo e os Estados do Sul, o movimento era considerado tranquilo ontem de manhã no local interditado. O trecho em mão dupla é de aproximadamente dois quilômetros.
O diretor da PRF disse que, em caso de interdição da outra ponte, a rota entre São Paulo e Curitiba passará a ser feita pelo interior, através de Piraí do Sul, Ponta Grossa, Jaguariaíva e Sengés, no Paraná, e Itararé, Capão Bonito, Itapetininga e Tatuí, no lado paulista. A viagem entre Curitiba e São Paulo fica mais longa 195 quilômetros. ''Mas as estradas são boas e, em boa parte, duplicadas.''

mockup