Em Maringá, no Noroeste do Estado, aumenta o número de pessoas que procuram a agência do INSS ansiosas pelo término da greve. A dona de casa Geni Colares, 43 anos, estava desesperada ontem, na frente da agência. O marido dela, o ajudante geral José Victor Ramos teve que se afastar do trabalho há mais de dois meses por causa de uma cirurgia de hérnia. Devido à greve ele não consegue um laudo da perícia médica para voltar ao trabalho e está sem salário há dois meses. ''A empresa não aceita que ele volte sem o laudo da perícia e o INSS também não paga mais o auxílio doença'', disse. A família, segundo Geni, está sobrevivendo da ajuda dos familiares.
A operadora de caixa Rosenilda Dias, 28 anos, também esteve na frente da agência ontem para tentar receber o auxílio-maternidade. Ela disse que entrou em licença há dois meses e não consegue dar entrada na documentação por causa da greve. ''Estou recebendo ajuda da minha mãe e adiando algumas contas porque sem salário há dois meses é muito difícil'', reclamou.
A população de quatro cidades do Oeste do Estado não está sendo atendida pelo INSS desde 10 agosto. O aposentado João Weber dos Santos, 70 anos, é um dos prejudicados pela paralisação. Residente em São Miguel do Iguaçu, ele viajou 43 quilômetros para tentar reverter a redução no valor da sua aposentadoria.
Santos contou que seu benefício foi nivelado ao salário minímo em maio deste ano, sendo reduzido perto de 10%. ''Preciso dessa diferença para dar meus pulos'', brincou. Ele disse que pagou R$ 3,41 pela passagem de ônibus intermunicipal para não pagar o pedágio, de R$ 3,50. ''Todo dinheiro é importante'', completou.
Além de Foz e São Miguel do Iguaçu, a unidade da fronteira é responsável pela assistência aos moradores de Santa Terezinha de Itaipu e Itaipulândia. Os quatros municípios têm, juntos, 308 mil habitantes. Antes da greve, os 28 funcionários do INSS atendiam, em média, 200 pessoas. Com a adesão de 92%, passou a atender 40 beneficiados - somente aqueles que precisam de perícias médicas. (Lucinéia Parra, de Maringá e Alexandre Palmar, de Foz do Iguaçu)

mockup