Rio- Dezesseis pessoas foram presas ontem de manhã pela Polícia Civil do Rio de Janeiro sob acusação de participar de uma rede de exploração sexual, da qual fazem parte mulheres e menores de idade. Alguns dos presos são residentes em condomínios de classe alta da Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio. Dez pessoas ainda estão sendo procuradas. Cerca de 50 policiais da Delegacia de Proteção à Criação e ao Adolescente (DPCA) foram mobilizados para a operação, batizada de ''Princesa 2''. As equipes foram para as ruas às 6 horas para cumprir 26 mandados de prisão e 11 de busca e apreensão, expedidos pela 36Vara Criminal do Rio.
Dezesseis mandados de prisão haviam sido cumpridos até o início da tarde nos bairros da Barra da Tijuca, Copacabana e Penha. Entre os presos, estão agenciadores, funcionários das agências e dois motoristas de táxi de uma cooperativa, a Unitur Agencia de Viagens e Turismo Ltda, que transportavam as garotas de programa.
Todos responderão por formação de quadrilha, tráfico interno de mulheres (dentro do País) e manutenção de casa de prostituição. Quarenta mulheres foram detidas para que prestassem depoimento. Elas foram encontradas em apartamentos de luxo da Barra.
Os encontros eram agendados por meio de sites na internet e ligações de telefones celulares. Nenhuma menor foi localizada, mas escutas telefônicas feitas pela polícia revelaram que adolescentes também faziam parte do esquema. Muitas vinham de outros municípios para se prostituir na capital. ''Há informações até de pais que ligavam para as agências oferecendo filhas de 15 e 16 anos para programas'', afirmou o chefe de Polícia Civil, Álvaro Lins.
A denúncia foi feita pela síndica de um condomínio luxo da Avenida Sernambetiba que estranhava a grande movimentação de moças e também de turistas, supostos clientes, num dos apartamentos - os organizadores da rede providenciavam, além do transporte, um lugar para os encontros e moradia para as moças. José Carlos Rocha Vieira, de 44 anos, que mantinha dois apartamentos no edifício, para prostituição, foi preso no local. O preço dos programas variava de R$ 100 a R$ 350 e Vieira ficava com 50% do valor cobrado.
Outro preso foi, o advogado Gleidner Diógenes Torres Feitosa, foi capturado quando chegava para atender sua cliente, uma das garotas de programa. Ele também seria agenciador, de acordo com a polícia. A primeira etapa da operação, ''Princesa 1'', foi montada em abril pela DPCA.
As investigações começaram com o depoimento de uma menor de 17 anos. Ela contou que as garotas só tinham direito à metade do que faturavam.

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