Curitiba - O desarmamento da população é uma boa alternativa para diminuir o número de mortes por tiros, reduzindo os índices de violência no País. Essa é a opinião de especialistas da área, que defendem que grande parte das armas de fogo utilizadas por bandidos é de calibre permitido pela lei e veio das mãos de quem têm porte para usá-las. De acordo com dados do Ministério da Justiça, morreram 40 mil pessoas baleadas em 2003 em todo o Brasil. Só na guerra do Iraque, durante todo o ano passado morreram mil pessoas.
''Não é a arma de grosso calibre que está vitimando o brasileiro. O bandido usa um revólver de calibre 38 para assaltar no sinaleiro, no bar ou para entrar em uma casa. As mais pesadas são usadas pelas quadrilhas para intimidar a polícia ou entre si'', afirmou o diretor executivo do Instituto Sou da Paz, Denis Mizne, que participou ontem do ''Seminário Desarmamento: menos armas, mais vidas'', promovido pela Secretaria de Estado da Segurança em Curitiba. Para ele, a entrada da maioria das armas é sempre legal, que depois são roubadas e vão de alguma forma para as mãos dos bandidos. Por isso, o especialista defende um maior controle nas fábricas, que é ponto o de saída.
Para o coordenador do Projeto de Controle de Armas do Movimento Viva Rio, Antônio Rangel Bandeira, o cidadão que tem uma arma em casa vive uma ilusão de proteção. ''Já foi comprovado que ter arma em casa aumenta em pelo menos 11 vezes as chances de suícidio, de brigas entre casais ou vizinhos acabarem em tragédia e de acidentes com crianças. Conflitos que eram para ser normais viram mortais.'' Além disso, em caso de assalto dificilmente o dono da casa conseguirá usar a arma e vai irritar o bandido ou simplesmente colocar mais uma arma no crime.
Bandeira defende que o Estatuto do Desarmamento, que deve ser assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nos próximos dias, adote a campanha de desarmamento que acontece no Paraná para todo o Brasil. ''Vamos pedir que o governo não peça nenhuma informação sobre a arma na entrega e pague quanto ela vale ao cidadão. Isso estimula as pessoas a se desarmarem.'' No Paraná, em cinco meses de campanha foram arrecadadas 17 mil armas. Em todo o ano passado, a polícia do Estado havia apreendido 3 mil. Isso diminuiu as ocorrências com armas de fogo em 34% no período, em comparação com 2003.

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