O trabalho de medição das casas que serão desapropriadas na face sul do Aeroporto Governador José Richa, em Londrina, já está concluído. Conforme o coordenador de gestão de planos e projetos da Secretaria Estadual de Infraestrutura e Logística, Geraldo Valença Monteiro Junior, dois engenheiros do Estado vieram a Londrina para orientar técnicos da Prefeitura porque a metodologia utilizada para a desapropriação não estava de acordo com os padrões adotados pelo Estado.
''A prefeitura de Londrina utiliza as Normas de Avaliação de Imóveis Urbanos do IBAP/SP, enquanto o Estado utiliza a NBR 14.653-2 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), então foi necessária uma adequação do trabalho realizado pelos técnicos da Prefeitura para que o padrão estivesse de acordo com o nosso'', informa Monteiro.
O coordenador utiliza uma metáfora para explicar em que estágio o processo de desapropriação se encontra. '' Se fosse uma corrida de 100 metros rasos, estaríamos nos últimos metros, perto da linha de chegada'', compara. Ele diz que o processo está com a Procuradoria Geral do Estado, que analisará os dados para poder liberar os recursos.
O presidente do Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel), Mário Kumagai, informa que essas diferenças de padrões de medições não atrasaram o cronograma. ''Esperamos que essa primeira fase de desaprpriações seja concretizada ainda este ano, pois dentro da Codel o empenho é o máximo'', expõe. Ele afirma que não obteve ainda os valores que cada imóvel podem alcançar, mas garante que o Estado liberará R$ 9.723.586 para desapropriar 54.841,74 metros quadrados e 9.724,61 metros quadrados de benfeitorias.
Kumagai admitiu que uma faixa do Tiro de Guerra será desapropriada para a instalação de um equipamento de orientação das aeronaves. Provavelmente o prédio que abriga as atividades militares deverá ser transferida para outro local. ''Ainda não tenho a informação do novo espaço para onde o Tiro de Guerra pode ser transferido, mas o terreno pertence à prefeitura e estamos em contato constante com o Ministério da Defesa para discutir o assunto'', relata.
Para a professora Daniela Cesar, moradora de uma das casas que serão desapropriadas na avenida Salgado Filho, o ideal é que o dinheiro da desapropriação saia o mais rápido possível. ''Têm famílias que querem entrar na Justiça contra a desapropriação, mas eu sei que se recusar a proposta a prefeitura pode pagar 80% do valor e os 20% restantes terei que esperar até que o processo seja concluído, o que pode se arrastar por anos'', pondera Daniela.
Para ela, é mais fácil negociar o valor da desapropriação do que o embate que pode perdurar por anos. ''Estamos preocupados e esperamos que o valor seja suficiente para a aquisição de uma nova casa nos mesmos padrões. Eu tenho a intenção de continuar morando aqui perto, próximo ao aeroporto, mas sei que terrenos de 420 metros quadrados como o meu não existem mais'', acrescenta. Ela diz que este é o único imóvel que a sua família possui e não quer sair dali para um lugar pior.

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