Desaparecimentos terão novas investigações
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segunda-feira, 01 de setembro de 2003
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - As investigações sobre o desaparecimento de crianças no Paraná vão receber o apoio da Polícia Federal. A Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República determinou a retomada das investigações sobre o desaparecimento de 14 meninos em Altamira município que fica a 300 quilômetros de Belém (PA), 20 no Maranhão e quatro no Paraná. Os casos são considerados suspeitos de envolvimento de integrantes da seita Lineamento Universal Superior (LUS), chefiada pela gaúcha Valentina de Andrade, que mora em Londrina. Ela será julgada pelo seqüestro, castração e assassinato de seis crianças em Altamira.
De acordo com a denúncia do Ministério Público (MP) do Pará, a seita teria sido responsável por crimes bárbaros contra 19 meninos, todos com idades entre 8 e 14 anos. Os crimes teriam ligação com rituais de magia negra. Dois supostos envolvidos nos assassinatos foram condenados na sexta-feira: o ex-policial militar Carlos Alberto dos Santos e o comerciante Amaílton Madeira Gomes. Eles foram condenados, respectivamente, a 35 e 57 anos de prisão. Outros dois supostos envolvidos, os médicos Césio Flávio Caldas Brandão e Anísio Ferreira de Souza, também serão julgados. Eles são acusados da realização das castrações, feitas de forma cirúrgica.
O juiz Ronaldo Valle, da 15ªVara Penal de Belém, decidiu ontem que Valentina será julgada em separado. O pedido foi feito pela defesa. Fui admitido no caso na semana passada. Ainda não conheço o processo todo, disse o advogado Américo Leal. Hoje, começa o julgamento de pelo menos um dos dois médicos.
A seita LUS foi investigada no Paraná em duas oportunidades, entre os dias 15 e 17 de fevereiro e entre os dias 7 e 9 de abril de 1992. Integrantes da seita foram investigados pela morte de Evandro Ramos Caetano, de 7 anos, no dia 11 de abril de 1992, num suposto ritual de magia negra. O crime aconteceu em Guaratuba, onde Valentina Andrade e seu marido, o argentino José Alfredo Teruggi ficaram hospedados num hotel, naquela época.
As investigações no Paraná também teriam apontado o pai-de-santo Osvaldo Marcineiro acusado de ter sacrificado e mutilado Evandro como integrante da seita. A seita LUS também é suspeita de ter sido responsável pelo desaparecimento de Leandro Bossi, 7 anos, no dia 15 de fevereiro de 1992, também em Guaratuba.
Valentina de Andrade teria sido líder espiritual, dançarina de uma boate e apresentadora de um programa de rádio sobre discos-voadores. Ela chegou a ser presa em 1992 mas foi libertada por falta de provas.
De acordo com a coordenadora do Movimento Nacional de Crianças Desaparecidas, Marília do Nascimento, um outro caso está sendo investigado no Paraná. O desaparecimento do menino Leonardo de Mello, desaparecido em 2000. O retrato falado dos supostos seqüestradores aponta para integrantes desta seita. Eles teriam ido para a Argentina com o menino. O caso está nas mãos da Interpol (Polícia Internacional), declarou ela. (Com Agência Folha)


