Desapareceram em Nova York documentos da máfia russa
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segunda-feira, 30 de agosto de 1999
Por Bruno Marolo 
Washington, 31 (AE-ANSA) - Uma série de documentos relativos à máfia russa desapareceu dos arquivos do Bank of New York, enquanto o governo americano admitia que tem "um grave problema" nas mãos e os republicanos se preparavam para usar o escândalo em sua tentativa de reconquistar a Casa Branca.
Por seu lado, o porta-voz do Departamento de Estado James Foley desistiu de minimizar a questão.
"Sabemos que a corrupção na Rússia é um problema grave, que não pode ser menosprezado. Não se pode dizer que a Rússia tem tido sucesso, mas o fato de ainda estar no caminho de um governo democrático é muito significativo", declarou.
As investigações no Bank of New York, onde eram lavados fundos da máfia russa, segundo as denúncias conhecidas até agora, oferecem surpresas diárias.
O diário USA Today, citando "fontes entre os que comandam a investigação", revelou hoje que registros do banco foram parcialmente modificados e parcialmente destruídos.
"As cifras - escreveu o diário - foram alteradas de modo a fazer crer que as transações instantâneas ocorreram num prazo de vários dias. Além disso, faltam páginas em séries consecutivas de documentos."
Fica claro que alguém tratou de eliminar as provas depois que explodiu o escândalo, e os investigadores suspeitam que, além dos funcionários suspensos do banco, existem pelo menos um cúmplice ainda em atividade.
O diretor-geral do Bank of New York, Thomas Renyl, enviou uma carta de advertência a todo seu pessoal. "Se forem conhecidas ações inapropriadas por parte de alguém, tomaremos as medidas apropriadas", escreveu.
Na sexta-feira, o banco despediu Lucy Edwards, uma das vice- presidentes da instituição.
Edwards, uma russa que conseguiu a nacionalidade americana, é casada com Peter Berlin, um empresário russo associado à Benex Worldwide, considerada uma empresa de fachada do crime organizado.
Milhões de dólares passaram pelas contas da Benex no Bank of New York.
Segundo fontes da investigação, as contas usadas na lavagem são pelo menos dez, ao invés das cinco que se acreditava num primeiro momento.
O USA Today reafirmou hoje que segundo suas fontes também passou pelas contas da máfia uma parte dos US$ 20 bilhões emprestados à Rússia pelo Fundo Monetário Internacional.
Um porta-voz do FMI, Tom Dawson, sustentou na segunda-feira que não tinha "nenhuma indicação" de um desvio de recursos, mas prometeu que de todas as formas a investigação iria até "o fundo".
No plano político, a questão da máfia russa parece destinada a transformar-se num dos cavalos de batalha de George W. Bush, o favorito entre os republicanos para disputar a presidência.
A estratégia de Bush foi discutida por seus assessores em Aspen, Colorado, onde foi realizado dias atrás um congresso sobre as relações entre a Rússia e os Estados Unidos.
À margem dos debates houve uma reunião a portas fechadas objetivando destacar os pontos fracos do vice-presidente Al Gore, que provavelmente será o adversário democrata de Bush nas eleições de 2000.
Antes que fosse descoberta a lavagem de dinheiro no Bank of New York, Bush havia advertido sobre a corrupção russa numa entrevista a William Safire, do New York Times.
"O FMI deveria deixar de emprestar dinheiro à Rússia até que sejam vistos sinais concretos de reformas", afirmou então.
Suas palavras, formuladas antes da explosão do escândalo, podem se transformar agora numa arma política para a conquista da Casa Branca.


