Londrina - A onda de rebeliões que pôs em xeque o sistema penal do Paraná nos últimos meses não chegou até as unidades prisionais de Londrina. O que não significa que as penitenciárias da cidade estejam excluídas dos problemas evidenciados nos cinco motins ocorridos no Estado entre o final de agosto e a primeira quinzena de setembro. A presença de facções criminosas nos presídios é um deles.
"A questão da presença de facção criminosa já está bem evidenciada. Existe, como foi noticiado, em vários locais e não vai ser diferente nas unidades de Londrina", afirmou o diretor da unidade 2 da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL 2), Émerson das Chagas. "A gente já vem atuando no controle dessa questão há bastante tempo, com trabalhos de formação e inteligência. É claro que toda organização voltada para o lado ruim vai trazer problemas sempre mais graves do que o que a gente tem no dia a dia, mas o controle dessas facções é feito dentro da unidade penal", acrescentou ele, destacando que o reforço do grupo de intervenção de crises, que o Serviço de Operações Especiais (SOE) da Secretaria Estadual de Justiça e Cidadania está instalando em Londrina, irá ajudar nesse controle.
Indagado se há riscos de rebeliões na PEL 2, o diretor respondeu que probabilidade existe em qualquer grande unidade penitenciária. Mas ponderou que a tendência é que haja um ambiente de normalidade após a série de revoltas deflagradas no último mês na Penitenciária Estadual de Cascavel (PEC), Penitenciária Estadual de Cruzeiro do Oeste (PECO), Cadeia Pública de Guarapuava e, por duas vezes, na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba).
"A possibilidade de acontecer uma rebelião, de ter uma situação de motim, é o cotidiano de quem trabalha no sistema penitenciário. Há períodos com mais probabilidade e com menos. A probabilidade no mês passado era grande porque havia várias ocorrências em outras unidades e isso poderia se alastrar, mas graças ao trabalho dos agentes penitenciários, com um grande apoio da Polícia Militar, conseguimos controlar a unidade e neste mês ela está voltando à normalidade", avaliou.

TELAS
A vulnerabilidade da estrutura externa da PEL 2 tem sido exposta semanalmente com a facilidade com que materiais ilícitos como drogas e telefones celulares são arremessados no interior das celas da unidade. Os muros externos são baixos e de fácil acesso. Segundo Emerson Chagas, está em curso na Paraná Edificações (órgão vinculado à Secretaria Estadual de Infraestrutura e Logística) processo em caráter emergencial de compra e instalação de telas ao redor da penitenciária. O solário já está sendo coberto com onze telas para evitar fugas. Com 1.108 vagas, a PEL 2 abriga atualmente 1.140 detentos. "É uma situação ainda tolerável", disse o diretor.

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