O Brasil precisa investir anualmente US$ 2,7 bilhões para garantir aos 105 milhões de brasileiros acesso ao saneamento básico, como coleta e tratamento de água e esgoto. As projeções seriam de US$ 40,5 bilhões dentro dos próximos 15 anos.
Estes são os números levantados pela Secretaria de Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente e apresentados durante o 4º Diálogo Interamericano de Águas. O encontro, que conta com a participação de representantes de 34 países, foi aberto ontem em Foz do Iguaçu. Durante a solenidade, foi lançado o carimbo comemorativo dos Correios alusivo ao evento e apresentados os principais temas das discussões, iniciadas desde a Agenda 21 (metas para garantir a proteção do meio ambiente e uso coerente dos recursos hídricos nos campos social e econômico). Aproximadamente 1200 pessoas estiveram ontem na abertura do encontro.
Entre outros dados apresentados pelo secretário de Recursos Hídricos, Raimundo José dos Santos Garrido, foram citados os projetos que vêm sendo desenvolvidos pela Agência Nacional da Água (ANA), criada ano passado. ''Posso destacar o Programa de Despoluição de Bacias Hidrográficas, onde a ANA estimula as companhias de saneamento e também os municípios para aumentarem a cobertura no tratamento de efluentes. A previsão de investimentos até o final deste ano é de R$ 70 milhões'', disse Garrido, que juntamente com o secretário da Organização dos Estados Americanos (OEA), Richard Meganck, integram a organização do evento realizado em Foz.
Ontem o governador Jayme Lerner assinou convênio com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que repassa para o estado a responsabilidade de gerenciamento dos rios localizados dentro do Paraná.
A cidade foi escolhida por ser uma ''vitrine'' do uso das águas nos mais diversos setores, principalmente o econômico devido ao funcionamento da Hidrelétrica de Itaipu (a maior usina do mundo com capacidade para 12,6 mil megawatts). Os organizadores também citaram as Cataratas e o encontro dos rios Iguaçu e Paraná (que formam a tríplice fronteira Brasil/Argentina/Paraguai), como ''um dos mais belos exemplos de integração das nações e sua população com a natureza.''
Paralelo ao evento, que conta com mais de 130 palestrantes, serão realizadas atividades junto aos moradores e turistas da cidade, como exposições, teatro, dança e oficinas para crianças brasileiras, paraguaias e argentinas. O objetivo é conscientizar o cidadão comum sobre a escassez da água potável no mundo. Apesar de ser conhecido como ''Planeta Água'', apenas 0,94% do 1,44 bilhão de quilômetros cúbicos de água existente no globo pode ser consumido pelo homem (97% do líquido estão nos oceanos). Enquanto países árabes travam guerras civis na disputa de fontes raríssimas, o Brasil registra um índice de desperdício que ultrapassa dos 36%. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 80% das doenças ocorridas no mundo poderiam ser evitadas com a implantação de um simples projeto de saneamento básico nos países mais pobres.
Entre as plenárias estão seis reuniões setoriais divididas em tópicos: indústria, agricultura, mineração, educação, setor elétrico e imprensa. Outros seis fóruns paralelos reunirão os integrantes da Rede Latinoamericana de Organizações de Bacias (Relob), da Rede Interamericana de Recursos Hídricos (RIRH), do Fórum dos Pequenos Países Insulares, do Programa Help da Unesco, do Mercocidades e gerentes dos projetos da Organização dos Estados Americanos (OEA).

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