Desafio é evitar conflitos
Segundo estimativas do governo, 80% da madeira retirada da Amazônia é ilegal. Grande parte sai de territórios indígenas. A maior concentração de retirada de mogno está no chamado Arco do Mogno, que compreende as reservas caiapó, menkragnotire, baú e panará. Os troncos são amarrados e transportados pelo rio Xingu até São Félix do Xingu, onde a madeira é beneficiada e exportada.
O grande desafio da PF, da Funai e do Ibama é executar a operação sem ferir os índios. Nos últimos dias, a Funai fez reuniões com algumas lideranças dos caiapós, para evitar conflitos. Segundo Álvarez, muitos índios estariam recebendo armas dos madeireiros e trabalhando como seguranças em áreas de extração ilegal. Os índios recebem entre R$ 30,00 e R$ 40,00 dos madeireiros, como taxa para exploração de madeira.No mercado internacional, um metro cúbico de mogno vale R$ 1.800,00.
Nos últimos 30 dias, a PF filmou várias áreas já exploradas na reserva dos caiapós. Foi constatada a presença de madeireiros, caminhões e máquinas para derrubada de árvores. O serviço de inteligência da Presidência da República também ajudou a colher informações sobre a exploração ilegal de madeira na Amazônia. Nossa intenção é iniciar a operação no Xingu e depois fazer uma varredura em toda a Amazônia, disse Álvarez.
O Ibama vai fazer blitze nas madeireiras, que terão de provar ser de planos de manejo autorizados pelo governo o estoque de madeiras nobres em seus pátios. As madeireiras que não conseguirem provar a origem da madeira serão punidas, disse Álvarez.
O governo federal não pretende liberar a exploração de madeira em território indígena por serem áreas de preservação permanente, segundo Álvarez. O tema será regulamentado pelo Estatuto do Índio, que ainda depende de aprovação do Congresso Nacional. (A.E.)





