Niterói (RJ) - Três meses após as chuvas de abril, que mataram mais de 60 pessoas no estado do Rio, muitos desabrigados do município de Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro, pensam em voltar a morar nas mesmas áreas de risco que tiveram que abandonar. Algumas pessoas já retornaram às antigas residências. O principal motivo, apontado pela maioria das pessoas que a Agência Brasil entrevistou, é a dificuldade para encontrar imóveis para locação que se encaixem no aluguel social de R$ 400 pago pelos governos estadual e municipal.
Uma das pessoas que pensa em voltar para a casa condenada pela Defesa Civil é a merendeira Cristina Silva, de 33 anos. Ela está abrigada com o marido e os três filhos no quartel da 3 Brigada de Infantaria do Exército, em São Gonçalo (município vizinho de Niterói). Ela disse que já recebeu duas parcelas do aluguel social , mas não consegue encontrar um imóvel para alugar. Uma dificuldade que aumenta com a exigência dos proprietários que, para fechar contrato, costumam exigir pagamento antecipado de um valor equivalente a três meses de aluguel. 'A gente vai ter que sair (do abrigo) dentro de um mês. Se eu não arrumei casa para alugar nesses três meses, como é que eu vou arrumar uma casa em um mês? Vou acabar tendo que voltar para minha casa', disse resignada.
A reportagem da Agência Brasil visitou o Morro do Céu e constatou que algumas famílias já voltaram para suas casas, mesmo interditadas pela Defesa Civil. Outras sequer deixaram o local, apesar dos riscos de desabamento de casas e deslizamento de encostas.
Segundo a prefeitura de Niterói, 3 mil famílias estão recebendo, desde maio, o aluguel social. Ainda de acordo com a prefeitura, todas as famílias cadastradas no aluguel social receberão o benefício até que possam se mudar para casas novas. Cerca de 3 mil novas unidades habitacionais do Programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, deverão ser construídas no município e atenderão, prioritariamente, quem vive em áreas de risco.

mockup