Pelo menos 1.078 pessoas estão desabrigadas nas cidades de Rio Negro, União da Vitória e São Mateus do Sul (sul do Paraná), por conta das cheias dos rios Negro e Iguaçu, que ocorrem desde a semana passada.
A situação mais grave é a de União da Vitória, na divisa com Santa Catarina, mas, mesmo assim, não houve necessidade de decretar estado de emergência. Não podem retornar a suas casas 968 pessoas. O rio Iguaçu, que tem altura média de 2,56 metros na região, atingia ontem 6,43 metros. Houve subida de 4 metros desde a sexta-feira passada. Os desabrigados estavam sendo acolhidos em seis abrigos públicos e nas casas de parentes.
Em Rio Negro, a cheia do rio de mesmo nome desabrigava ontem 106 pessoas. O rio atingia altura de 7,8 metros, contra 1,5 metro de média. Em São Mateus do Sul, o rio Iguaçu, que tem altura média de 2,9 metros, chegava ontem a 4,84 metros. Ao menos uma família estava desabrigada.
A cidade de Porto Amazonas já revogou o estado de emergência que havia sido decretado na semana passada. As 130 pessoas que estavam desabrigadas na cidade já retornaram a suas casas.
A cheia acontece por causa das chuvas ocorridas na semana passada na região oeste do Estado. O tempo no Estado foi bom ontem. Segundo a Defesa Civil, a altura dos rios foi estabilizada, e a tendência é que ela diminua a partir de hoje e volte ao normal em uma semana.
A chuva causou o rompimento de uma canalização, abrindo uma cratera de 50 metros de largura por 12 metros de profundidade no meio da BR-116, em Rio Negro, no sábado. A passagem de veículos pela rodovia está interrompida no local, no km 194, a 90 km de Curitiba.
A Polícia Rodoviária Estadual está desviando o tráfego. Carros têm de fazer um desvio que aumenta o percurso em 10 km, em estrada de terra. Veículos pesados precisam usar a PR-419, em um trajeto 90 km mais longo. Os motoristas estão enfrentando congestionamentos nos desvios, não preparados para comportar tanto movimento.
O Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) espera concluir, em 15 dias, a recuperação da BR-116. O serviço a ser realizado pelo DNER prevê a construção de um novo bueiro em concreto, sobre o qual será refeito o aterro. O desvio, segundo o DNER, tem 1,5 quilômetro e também está recebendo melhorias, pois passam cerca de três mil veículos por dia. O diretor do DNER, João Alberto Sautchuk, disse que equipes já vinham trabalhando no local desde a semana passada, quando houve entupimento do bueiro e bloqueio das águas, que formaram um lago e provocaram o desmoronamento.

mockup