Leite, carne e feijão são alimentos em falta entre os desabrigados pela cheia do Rio Acre em Rio Branco (AC). Famílias ouvidas pela reportagem disseram que há mais de oito dias não comem carne ou dão leite às crianças. A refeição depende do poder de compra das famílias, mas o prato mais comum tem sido arroz, feijão e mandioca.
Os órgãos envolvidos na ajuda aos desabrigados confirmaram que não houve distribuição de carne desde o início do acampamento, há 11 dias. Apenas 93 frangos foram distribuídos.
A Defesa Civil e a prefeitura acreditam que as próprias famílias devem buscar recursos para se manter no acampamento, mas também são ajudadas por doações de comerciantes e funcionários públicos.
Até ontem, as 350 famílias do Parque de Exposições haviam recebido, em doações, 3.300 pães, consumidos em, no máximo, um dia, uma camionete com frutas e verduras doadas por um supermercado, 940 quilos de arroz, que hoje já estão no final, e os 93 frangos. Não há previsão de distribuição de cestas básicas, por decisão dos órgãos envolvidos.
A secretária municipal de Política e Cidadania, Graça de Oliveira, que trabalha no Parque de Exposições como voluntária, disse que o alimento recebido em doações ‘‘não dá para todo mundo’’, mas é voltado para atender ‘‘os mais pobres’’.
‘‘A gente usa o bom senso na hora de distribuir’’, disse Graça, para quem a situação não é de ‘‘calamidade’’, a ponto de se desencadear uma grande campanha de arrecadação de alimentos. ‘‘A família que aparecer aqui (na sala da Defesa Civil instalada no Parque) dizendo que está com fome, será atendida’’, afirmou.
ComidaO governador do Acre, Jorge Viana (AC), disse hoje que a população atingida pelas cheias no Estado é tão pobre que o número de desabrigados pode até triplicar, caso o governo faça uma distribuição de cestas básicas.
Segundo ele, é muito provável que as possíveis listas de distribuição ‘‘inchem’’ com pessoas pobres que não foram atingidas pelos alagamentos. ‘‘Ao invés de ajudar, podemos até aumentar o problema , disse Viana. Para o assessor de imprensa do governo, Aníbal Diniz, o simples anúncio de uma distribuição de comida provocaria uma corrida ao Parque de Exposições, onde estão as famílias desabrigadas em Rio Branco.
O governador, no entanto, disse que irá atender às determinações da Defesa Civil, que, baseada no acompanhamento da situação, até ontem não havia requisitado a distribuição de alimentos. Para Viana, o fenômeno das cheias e dos alagamentos, conhecidos como ‘‘alagação e que todos os anos, em maior ou menor extensão, faz desabrigados, muitas vezes é explorado politicamente’’. Na semana passada o governador acreano esteve na Defesa Civil Nacional, em Brasília, mas não fez pedidos para receber alimentos. O secretário-adjunto de Estado de Saúde, que atua no atendimento às famílias, Adônidas Freitas Rodrigues, disse que a idéia é estabelecer critérios para a distribuição dos alimentos.

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