Imagem ilustrativa da imagem Desabastecimento afeta hospitais
| Foto: Miguel Schinchariol/AFP



O desabastecimento provocado pela paralisação dos caminhoneiros pode afetar os hospitais nos próximos dias. O Sindipar (Sindicato dos Hospitais e Estabelecimentos de Saúde do Paraná) relatou problemas diversos em todas as regiões do Estado, a maioria ligada à falta de medicamentos, insumos e outros produtos essenciais para o funcionamento dos hospitais. Na capital, alguns estabelecimentos resolveram a falta no estoque com trocas.

Em Londrina, o clima é de preocupação. No HU (Hospital Universitário Regional do Norte do Paraná) de Londrina até a quinta-feira estava com tudo sob controle, sem nenhum episódio de desabastecimento. Segundo a assessoria de imprensa, desde ontem quando foi divulgada a paralisação dos motoristas, a administração orientou que se enchesse todos os tanques de combustíveis dos veículos e foi emitida uma ordem para que se economize o combustível. Os veículos que saíam cinco vezes ao dia agora saem apenas três vezes ao dia.

O lixo hospitalar até agora foi recolhido normalmente, mas a alimentação pode ser a primeira a sofrer com o desabastecimento, já que o estoque de hortifrutigranjeiros pode começar a faltar a partir de sexta-feira. A administração não se pronunciou sobre como será realizado o transporte de funcionários porque a partir de amanhã haverá uma reunião que discutirá sobre os problemas mais graves. O estoque de medicamentos estava abastecido até esta quinta-feira, mas se a paralisação e os bloqueios continuarem na semana o hospital pode começar a ter problemas.

Nos hospitais administrados pela Iscal (Irmandade da Santa Casa de Londrina) o abastecimento segue normalmente até domingo (27). Esta semana a administração do hospital precisou se desdobrar para conseguir os medicamentos e insumos para que não faltasse nada a seus pacientes. Para isso priorizou a aquisição de fornecedores locais. A lavanderia da irmandade é terceirizada e o material vai diariamente para Maringá e retorna para Londrina em caminhões que não são identificados com a logomarca do hospital. Por esta razão os motoristas estão circulando com cartas da Iscal relatando a importância de passar pelos bloqueios. Os caminhões que transportam cilindros de oxigênio também têm conseguido passar pelo bloqueio dos motoristas. A coleta de lixo da Santa Casa tem sido realizada normalmente até agora. Já as ambulâncias possuem combustível somente até domingo (27).

No Hospital do Coração de Londrina, o desabastecimento não provocou problemas até esta quinta-feira. Nesta sexta-feira à tarde a administração do hospital marcou uma reunião para estabelecer estratégias para os próximos dias, caso a paralisação dos motoristas de caminhões persista. O primeiro setor que pode ser afetado é o de enxoval, pois a lavanderia utiliza gás no processo de secagem e ele já está acabando. A alimentação é feita por uma empresa terceirizada e até agora a empresa não notificou problema algum ao hospital. A coleta de lixo tem funcionado normalmente.

O transporte de funcionários pode sofrer com a redução de ônibus de transporte coletivo e pode ser afetado principalmente na troca de plantão, já que a CMTU já avisou que no sábado à noite os ônibus circularão apenas até às 2 horas da manhã. Sobre medicamentos e insumos hospitalares o hospital está fazendo levantamento de estoques para ver se haverá necessidade de suspender cirurgias eletivas.

No Hospital Universitário do Oeste do Paraná, as cirurgias eletivas que estavam agendadas para os próximos dias estão canceladas. A determinação do cancelamento vem como medida emergencial para não afetar os serviços assistenciais do hospital. Serão racionados itens que não prejudiquem os atendimentos, economizando o máximo possível para que não falte materiais nos próximos dias.
O hospital destacou que serão realizadas reuniões diariamente no intuito de avaliar caso a caso as necessidades dos setores.
Representantes dos caminhoneiros e transportadoras de Londrina e região garantiram que todo o material destinado a hospitais tem livre passagem pelas barreiras. "Os caminhoneiros estão muito unidos e lutando por uma causa comum para todo o País. Apesar de alguns transtornos inevitáveis, qualquer carga relacionada à saúde terá passagem livre", garantiu Paulo César Gomes dos Santos. (leia mais na pág.7 e no caderno Economia&Negócios)

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