Curitiba- A família do caminhoneiro Zonardi José Nascimento que morreu com a queda de parte da ponte sobre o Rio Capivari-Cachoeira, na BR-116, em Campina Grande do Sul, ainda não está recebendo pensão apesar de já ter pleiteado este direito na Justiça. O desabamento da ponte completou um ano ontem. A esposa do motorista, Ione Alves Nascimento, 57 anos, disse que não tem rendimento nenhum e que está vivendo com a ajuda de filhos e parentes. A expectativa dela é que a pensão no valor de R$ 2.333,00 comece a ser liberada a partir de 5 de fevereiro.
Segundo ela, foi necessário entrar com três recursos na Justiça para tentar garantir a pensão. Além disso, ela pretende conseguir o valor do caminhão orçado em R$ 100 mil a R$ 120 mil. Ione conta que o marido ganhava entre R$ 5 mil a R$ 6 mil por mês. A família do caminhoneiro também entrou na Justiça em maio de 2005 com uma ação por danos morais e materiais e aguarda decisão.
A assessoria de imprensa do Departamento Nacional de Infra-Estrutura em Transportes (Dnit) no Paraná informou que a ação da esposa do caminhoneiro corre contra o Dnit federal e que fica a cargo da Procuradoria do Dnit em Brasília. Mas o Dnit de Brasília informou à reportagem que este assunto deveria ser respondido pelo Dnit no Paraná.
A previsão do Dnit é que a ponte esteja totalmente reconstruída só no final de fevereiro. A ponte sentido São Paulo-Paraná que está intacta vai passar por obras de conservação e manutenção. Este trabalho deve começar em março e vai durar uma semana, segundo informações do engenheiro supervisor do Dnit, Ronaldo Jares. Para que isso seja possível, esta ponte vai ficar com o tráfego em meia pista. Entre as obras a serem executadas na ponte sentido São Paulo-Paraná estão a troca das juntas de dilatação e a colocação de aparelhos de apoio, uma espécie de material sintético entre as vigas e os pilares.
Na ponte que desabou, o Dnit informou que 85% da obra está pronta. Está sendo realizada a reconstrução de três vãos numa extensão total de 120 metros. A previsão de Jares é que a ponte esteja concretada até o dia 15 de fevereiro e que seja liberada apenas 15 dias após esta data devido ao tempo de cura do concreto.
O investimento total deve chegar a R$ 29 milhões e inclui obras de contenção, a remoção de escombros, reforço dos pilares, alívio de peso, balanças e a reconstrução propriamente dita. De acordo com Jares, o local não apresenta nenhum tipo de deslizamento. Ele esclareceu que foi colocado um equipamento chamado inclinômetro que mede o deslocamento da terra.
Apesar de as obras ficarem prontas com sete meses de atraso, o Dnit não admite esta informação. Segundo Jares, em janeiro de 2005 foram realizadas apenas obras de contenção. O Dnit informou ainda que a conclusão dos trabalhos em fevereiro está dentro do prazo porque nos primeiros seis meses foram realizadas apenas trabalhos de emergência. O Dnit lembrou ainda que como havia deslizamento no aterro, as obras não podiam iniciar imediatamente.

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