Uma mulher morreu, e outras três pessoas - das quais duas crianças - ficaram feridas em consequência do desabamento de duas casas interditadas em 1997 pela Defesa Civil, ocorrido no Andaraí (zona norte do Rio) às 10h30 de ontem, quando a chuva que atingia a cidade já havia acabado.
O desmoronamento ocorreu na Rua Amaral, junto à esquina com a rua Ladislau Neto. Maria de Jesus, 57, foi soterrada e morreu. Maria do Carmo da Silva, 29, Daiane Costa Andrade, de 7 meses, e Augusta Caroline Costa Andrade, de 2 anos e 5 meses, sofreram ferimentos leves.
No momento do desabamento, 11 dos 15 moradores estavam em casa. O grupo começou a ocupar o local em 1997, quando os imóveis (com entradas separadas, mas com o mesmo número, 73, já tinham sido condenados pela Defesa Civil. ‘‘Antes da gente, moravam aqui uns mendigos, e nosso patrão, da Rhodes Engenharia, botou a gente para tomar conta’’, disse o servente Edilson de Jesus, filho de Maria.
No momento do desmoronamento, Edilson estava em uma área nos fundos. Com a ajuda de parentes e amigos, tentou tirar a mãe dos escombros, mas não conseguiu: o peso era excessivo. Somente com ajuda dos bombeiros foi possível o resgate.
Nélia Alves Andrade, cunhada de Edilson, contou que teve de tirar as duas sobrinhas do meio dos escombros, porque sua irmã, Cláudia, mãe de Daiane e Augusta, entrara em desespero e não sabia o que fazer. Segundo ela, as crianças foram salvas por uma estante, que as protegeu. ‘‘A estante aparou o impacto’’, disse.
O subprefeito da Tijuca e Vila Isabel, Marcelo Seixas, disse que o local fora ocupado anteriormente por cerca de 12 mendigos, retirados pela Prefeitura do Rio no ano passado. A Defesa Civil fez a interdição em agosto de 1997. ‘‘Colocamos faixas de proibição de acesso por três vezes’’, contou.
Mesmo após a interdição, os novos moradores começaram a ocupação. Alguns vieram chamados pelos outros. Maria estava lá havia três meses. Seu marido, Esmeraldo Passos, havia menos de um. ‘‘A responsabilidade é do proprietário do imóvel, que não pode abandoná-lo’’, disse Seixas.
Funcionários da Secretaria de Obras demoliram, na tarde de ontem, parte do que restara das casas, cujo desabamento era iminente. O resto deve ser demolido após perícia da Polícia Civil. Os desabrigados foram levados para um abrigo da prefeitura, no Alto da Boa Vista (zona norte).

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