São Paulo, 23 (AE) - Quatro operários morreram soterrados e um ficou ferido no deslizamento de parte de um barranco localizado nos fundos da Escola Senembi, na Rua Curumim, 150, na região central do município de Caieiras, na Grande São Paulo.
Os cinco abriam uma valeta para construir o alicerce de um muro de arrimo com quatro metros de altura e 1,20m de largura, quando grande quantidade de terra veio abaixo, às 16h45. Um dos operários foi atingido na cabeça por um tronco de árvore.
O barranco não estava escorado e, embora as obras de ampliação da escola tenham sido iniciadas há quatro anos, não havia placas identificando o engenheiro responsável pela construção.
As primeiras informações assustaram a cidade. Boatos rapidamente tomaram conta das conversas. "Falou-se que uma parte da escola tinha caído, soterrando dezenas de crianças", afirmou o taxista José Pereira.
A presença de helicópteros das emissoras de televisão e da Polícia Militar, sobrevoando o local, trouxeram mais apreensão: ladrões assaltaram uma agência bancária e se esconderam na escola e trocam tiros com a polícia, diziam os comentários.
Até o Corpo de Bombeiros temia o pior. Foram enviadas para a escola esquipes dos grupamentos de Incêndio, Busca e Salvamento e do Resgate dos postos de Caieiras, Guarulhos, Franco da Rocha e de Pirituba, Casa Verde, Imirim e da Praça da Sé, em São Paulo. Eram cerca de 30 homens.
Com movimentação, pais de alunos correram para a escola, preocupados com a segurança dos filhos. "Os alunos nem notaram nada e só souberam do acidente ao serem tranquilizados por professores e funcionários", disse Fábio Buonavita, pai de Marilia, de 11 anos, que cursa a 6ª série.
"Quando cheguei ao portão recebi minha filha chorando, mas era por causa do barulho dos helicópteros", afirmou Buonavita. Policiais militares fecharam os acessos a escola. Só os carros dos bombeiros e da polícia tinham passagem livre.
Depois de três de buscas as vítimas, utilizando pás, enxadas e picaretas, num local de dificil acesso, os bombeiros encerraram o trabalho. O pedreiro Benedito Natal Moreira, com ferimentos nas pernas, foi internado no Pronto-Socorro Municipal e os corpos de Gonçalo Ferreira, Agenor Tavares de Lira, José dos Reis Cândido e Hernandes Cabral dos Santos foi para o IML.
Funcionários disseram que a construtora da obra, é a DM Duval Empreendimentos, de propriedade de Vasco Duval, dono da escola. Duval evitou falar a imprensa.
O delegado Rui Vicente da Silva abriu inquérito para apurar se houve irresponsabilidade. "Vamos ouvir os engenheiros da prefeitura para saber direito o que houve", disse.
Pessoalmente, ele acredita em acidente. "Numa análise superficial não dá para perceber se houve negligência; mas não sou engenheiro", acrescentou. O capitão Edson de Oliveira Silva
do Quartel Central dos Bombeiros em São Paulo e que coordenou os trabalhos, não quis arriscar uma opinião. "Só os peritos poderão dizer o que houve."

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