São Paulo, 12 (AE) - O comando político do Palácio das Indústrias foi surpreedido pela derrota sofrida hoje na Câmara Municipal porque, apesar de ter trabalhado até o início da madrugada, dormiu tranquilo diante da certeza da vitória. A primeira batalha perdida na guerra contra o impeachment do prefeito Celso Pitta (sem partido) deixou a equipe de governo preocupada, tanto que já começaram a pensar em várias estratégias possíveis.
O cúpula do governo municipal não admite publicamente, mas em conversas reservadas acreditam que têm os 23 votos necessários para impedir a admissão da acusação em plenário - são necessários 33. O problema é que a derrota sofrida numa comissão formada por cinco governistas causou uma certa desconfiança interna em relação ao poder de articulação dos operadores políticos.
Isso porque o parecer da Comissão Especial ocorreu por causa de apenas dois vereadores - Toninho Paiva (PFL) e Maria Helena (PFL) - , que não foram convencidos a manter-se com o governo. Na prática, a dificuldade para convencer 23 parlamentes é pelo menos dez vezes maior do que a enfrentada ontem e hoje.
Dificuldades - As preocupações começaram na semana passada, quando Paiva e Maria Helena ajudaram os oposicionistas José Mentor (PT) e Ana Maria Quadros (PSDB) a aprovar requerimento convocando o vice-prefeito e corregedor do Serviço Público Municipal, Régis de Oliveira, e o ex-relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Precatórios, senador Roberto Requião (PMDB-PR).
"Como a situação estava sobre controle, se emplacaram o Régis de Oliveira e o Requião (senador Roberto Requião)?", questionava no início da semana um assessor político do Palácio das Indústrias. A tática agora é tentar aumentar o número de vereadores da base de apoio e estudar até uma eventual ação judicial, caso seja necessário. Alternativa - Não há uma decisão, mas os articuladores políticos de Pitta começaram a avaliar se as denúncias apresentadas contra Pitta seriam procedentes ou não. Eles, é claro, entendem que não e justificam: Pitta só assumiu a Prefeitura em 1997. Além disso, acreditam que a discussão do impeachment tornou-se uma estratégia importante para os vereadores e um tema de interesse para outros grupos políticos. A tese defendida no Palácio das Indústrias é que os parlamentares estariam tentando transferir as atenções para o prefeito de São Paulo, reduzindo a atenção sobre a Câmara.
Se pressão da opinião pública não for suficientemente forte para cobrar a continuidade dos trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fiscais, poderão negá-la em plenário com a desculpa de que estão investigando o Executivo. Enquanto o governo municipal tenta reverter a crise política, os vereadores já comentavam hoje que uma nova reforma administrativa pode estar sendo preparada no Palácio das Indústrias. Lá, por enquanto, ninguém confirma.

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