O 6º Distrito Naval de Ladário (MS) identificou um derramamento de óleo combustível no canal do Tamengo, um grande lago que deságua no rio Paraguai, na fronteira Brasil-Bolívia. A empresa estadual de abastecimento de água de Mato Grosso do Sul (Sanesul) pretendia suspender a captação, que é feita no encontro do canal com o rio, o que iria comprometer o fornecimento de água tratada para Corumbá e a região.
A assessoria de imprensa da Prefeitura de Corumbá informou que o derramamento não provocou maiores danos porque as manchas foram diluídas e acompanharam o refluxo do canal, em direção à lagoa Cáceres, no município boliviano de Puerto Suarez (a 17 quilômetros de Corumbá).
O canal faz parte da hidrovia Paraguai-Paraná, projeto de cinco países combatido por ambientalistas por gerar supostos danos ao Pantanal, entre os quais, a poluição provocada pelas embarcações.
A Marinha e a Secretaria de Meio Ambiente e Turismo de Corumbá (Sematur) pediram formalmente às autoridades bolivianas que aumentem a fiscalização nas embarcações e terminais portuários sob sua jurisdição. Há denúncia, não confirmada, de que algumas empresas de navegação estariam lavando os compartimentos de carga de combustíveis no canal, para depois usá-los no transporte de óleo vegetal. Autoridades brasileiras e bolivianas reuniram-se ontem em Corumbá para discutir o surgimento da mancha de óleo e buscar providências.
O comandante da Capitania Fluvial do Pantanal, órgão do 6º Distrito Naval, capitão Adolfo Barros Silva, informou que ainda não se sabia qual o local onde tinha acontecido o derramamento, levantando três hipóteses - os terminais de Concepción e de Aguirre, na Bolívia, ou o próprio canal, causado por uma embarcação.
O cônsul da Bolívia em Corumbá, Edmundo Sauceda, considerou o derramamento ‘‘um pequeno incidente . Ele disse que a Bolívia ‘‘tem consciência da importância de uma fiscalização mais rigorosa na região. Marinha e prefeitura pediram ao comandante do 5º Distrito Naval de Puerto Suarez, coronel Mario Gutierrez, levantamento do estoque de combustíveis e do volume de transporte nos portos bolivianos.
O secretário de Meio Ambiente de Corumbá, Ângelo Rabelo, afirmou que a Sanesul colheu amostras da água do canal do Tamengo para análise laboratorial. Ele disse que o problema ‘‘mostrou que é preciso estabelecer algumas regras de convivência (entre os órgãos fluviais e ambientais) na faixa de fronteira .

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