Rio, 23 (AE) - A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) vai propor ao Ministério da Saúde uma lei que obrigue as clínicas de bronzeamento artificial a advertir os clientes de que a exposição aos raios ultra-violeta podem provocar câncer. "Seria algo como as inscrições nas carteiras de cigarro e nas propagandas", afirmou coordenador do Programa Nacional de Controle do Câncer de Pele, Marcus Malta, após o lançamento da campanha nacional no Rio.
O bronzeamento artificial é considerado pelos dermatologistas tão nocivo quanto a exposição prolongada ao sol. "O mais grave é que as pessoas que frequentam essas cabines são as que não conseguem se bronzear na praia ou na piscina", alerta Malta. "Elas têm a pele clara e por isso são mais propensas ao câncer de pele".
A SBD estima que todos os anos 100 mil brasileiros desenvolvam algum tipo de câncer de pele. Para conter o crescimento da doença, os dermatologistas vão fazer uma campanha nacional de esclarecimento e prevenção. Equipes de dermatologistas dos hospitais universitários vão examinar e orientar a população gratuitamente no dia 27 de novembro. Em São Paulo, Minas Gerais e Pernambuco, a campanha está marcada para 4 de dezembro. "A estimativa é encontrar suspeita de câncer de pele em 5% dos examinados", afirma Malta.
Serão distribuídos ainda folhetos explicando o que é o câncer de pele, o que causa e como pode ser evitado. Os panfletos têm dicas sobre como reconhecer os sinais precoces. "O câncer de pele pode ser prevenido porque nós sabemos o que causa - o excesso de sol - e quem vai ter: pessoas de pele e olhos claros, com tendência a sardas", diz Malta.
A campanha também será direcionada aos médicos de outras especialidades, como pediatras, ginecologista, geriatra, e clínicos gerais, para que identifiquem suspeitas de câncer de pele nos seus pacientes. "Cerca de 70% da população vai ao médico pelo menos uma vez ao ano e essa seria a oportunidade para detectar o câncer precocemente", afirmou.

mockup