Dermatologistas querem acabar com estigma da psoríase
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quinta-feira, 07 de setembro de 2006
Flora Guedes<br> Equipe da Folha 
Curitiba- Cerca de 3% da população brasileira sofre de psoríase, um universo de cinco milhões de pessoas de todas as idades. Como se não bastasse ser uma doença crônica, que se manifesta com lesões avermelhadas, descamação branca e muita coceira, o portador da psoríase sofre ainda com o preconceito. Além de divulgar novos medicamentos para tratamento, que são os imunomoduladores biológicos, o 61º Congresso da Sociedade Brasileira de Dermatologia, que termina amanhã, em Curitiba, busca combater o estigma da doença, que interfere na qualidade de vida e socialização desses pacientes.
O coordenador científico do evento, Jesus Santamaria, informa que a novidade são as drogas de agentes biológicos que agem diretamente nas células e substâncias do corpo responsáveis pelo aparecimento das lesões. ''É preciso ficar claro que a psoríase ainda não tem cura e os novos medicamentos não são miraculosos, mas contribuem no controle da doença e provocam menos efeitos colaterais do que os existentes no mercado'', explica Santamaria. As novas drogas são caras. Por mês, o paciente deve gastar em torno de R$ 6 mil com o tratamento, que não está disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A psoríase surge nas pessoas que têm pré-disposição genética e, muitas vezes, somados a alguns fatores desencadeantes como estresse, infecções, exposição demasiada ao sol e até medicamentos. Outros fatores de risco são o álcool e o fumo. ''Queremos que a informação sobre a psoríase se popularize porque nossa maior dificuldade é o preconceito. As pessoas acham que é contagiosa. Eu tenho a doença desde os 29 anos, quando foi diagnosticada, e sofro com isso'', conta a secretária Terezinha Gardin, 45 anos, também diretora social da Associação Brasiliense de Psoríase, um dos expositores do congresso.
Na programação de hoje, Santamaria destaca os temas ''Dermatologia e o Meio Ambiente'', que vai discutir as alterações de pele causadas por irradiação solar e poluição, e ''Superprodução de Profissionais da Área Médica na América Latina''. ''A abertura de novas faculdades de Medicina preocupa o setor. Só no Brasil temos o número gritante de 157 cursos, se formos comparar com o número de faculdades na China, que tem 150, um país com mais de 1 bilhão de habitantes. Daqui a pouco teremos mais médicos do que a população necessita'', contextualiza.


