Curitiba - O Departamento de Estradas de Rodagem (DER) do Paraná determinou ontem a interdição de 130 quilômetros da BR-476, conhecida como Rodovia do Xisto, entre as cidades de Lapa e Paulo Frontin, no Sul do Estado. A rodovia foi fechada para ''evitar acidentes devido ao excesso de buracos e do péssimo estado do pavimento.'' A situação da estrada é precária há meses e uma das pontes, perto do município de São Mateus do Sul, também chegou a ser interditada por falta de conservação.
O problema das estradas ocorre porque o DER e o Departamento Nacional de Infra-Estrutura em Transportes (Dnit) não chegam a acordo sobre quem é responsável pelo trecho. No Paraná, 945 quilômetros de estradas federais foram incluídos no termo de transferência assinado em 2002, logo após a edição da Medida Provisória 82, em troca de repasse de R$ 130 mil por quilômetro.
No entanto, em maio de 2003, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou a conversão da MP em lei, criando um dilema jurídico. O Dnit entende que transferiu estes trechos ao Estado pela MP 82, já o governo do Paraná não reconhece isso porque a MP não foi transformada em lei.
Sem acordo entre os órgãos, cerca de 6 mil motoristas que trafegam diariamente pela BR-476 - 70% são caminhoneiros - ficam prejudicados. Se quiserem chegar a São Mateus do Sul, que fica exatamente no meio do trecho interditado, precisarão usar desvios que tornam mais longa a viagem.
O prefeito de União da Vitória, Hussein Bakri (PSDB), organiza um protesto para hoje que vai trancar a rodovia na região do município pela mesma razão. ''Estamos há meses lidando com isso. Já tentamos todas as soluções administrativas e entramos na Justiça. Nada resolveu. A estrada está intransitável. Queremos juntar amanhã pelo menos mil pessoas e muitos caminhoneiros'', afirmou o prefeito.
Mas não é só a BR-476 (que entre Lapa e União da Vitória soma 160 quilômetros) que está com este problema no Paraná. Além dela, outros 785 quilômetros estão sem cuidados.
Segundo o DER, ''a intervenção é por tempo indeterminado ou até a União, através do Dnit, iniciar as obras de recuperação e conservação da rodovia.'' Porém, a rodovia estará aberta ao para tráfego leve local, ou seja, veículos de moradores dos municípios e distritos ao longo da rodovia.
Com o desvio os motoristas que se dirigem até União da Vitória têm que utilizar o caminho por Irati, Rio Azul e Paulo Frontin pela BR-277 ou ainda saindo de Curitiba pela BR-116 em direção a Rio Negro e Mafra e trafegar pela BR-280 em Santa Catarina até Porto União.
O coordenador do Dnit no Paraná, David Gouvêa, voltou a afirmar que o órgão nada pode fazer porque entende com as estradas já foram transferiodas para o Estado. ''Não temos nenhuma ordem judicial que nos obrigue a fazer qualquer coisa'', afirmou. ''Acho ótima a interdição. O Dnit acha que eles deveriam tomar todas as atitudes, inclusive de arrumar a estrada'', completou Gouvêa.
Do total dos 945 quilômetros sem cuidados, apenas a ponte sobre o Rio Piquiri, na BR-277, vai receber reparos. Isso devido à determinação da Justiça Federal de Umuarama. O Dnit já está fazendo trabalhos no local, porém Gouvêa alerta: ''Recorremos da decisão, como somos obrigados a fazer, e se ganharmos as obras páram.''

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