Deputados vão propor amanhã CPI para investigar denúncias em SP
Deputados vão propor amanhã CPI para investigar denúncias em SP14/Mar, 19:02 Por Gilse Guedes Brasília, 14 (AE) - Os líderes dos partidos de oposição na Câmara apresentam amanhã (15) um requerimento para a instalação de uma CPI para investigar as denúncias feitas pela primeira-dama de São Paulo, Nicéa Pitta. Eles decidiram que a comissão não investigará apenas o desvio de títulos emitidos pela Prefeitura de São Paulo para o pagamento de precatórios - a idéia foi criticada por senadores e deputados da base governista e até da oposição alegando que uma nova CPI dos Precatórias seria ineficaz. Para criar a CPI sobre as denúncias em São Paulo os deputados precisam recolher 171 assinaturas. Segundo os líderes na Câmara do PT, Aloízio Mercadante (SP) e do PDT, Miro Teixeira (RJ), o objetivo da comissão, com base nas acusações apresentadas por Nicéa, é apurar a suspeita de que o endividamento de São Paulo nas administrações do ex-prefeito Paulo Maluf (PPB) e do prefeito Celso Pitta (PTN) foi feito em bases irregulares. Hoje, os líderes governistas voltaram a atacar a criação da comissão, alegando que não é uma atribuição da Câmara apurar o caso e que não há novidades para justificar a criação de uma nova CPI dos precatórios tendo em vista que o Senado concluiu uma comissão sobre o mesmo tema em julho de 1997. "Estão querendo transformar a Câmara dos Deputados em Câmara de Vereadores", disse o líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (PMDB-BA). "Nicéa não falou em verbas federais", completou Geddel, acrescentando que vai orientar sua bancada a fazer oposição à instalação da comissão. O senador da oposição Roberto Freire (PPS-PE) também considera que o caso é uma atribuição da Câmara Municipal. Segundo o líder do governo na Câmara, Arnaldo Madeira (PSDB-SP), não há fato novo nas acusações da primeira-dama. "CPI dos Precatórios não tem sentido de jeito nenhum, porque a outra comissão já fez o trabalho conclusivo", disse o líder do PFL na Câmara, Inocêncio Oliveira (PE). Ele defendeu o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), das acusações de ter pressionado Celso Pitta a quitar dívidas da Prefeitura com a empreiteira OAS. "O senador nunca tocou em nome da OAS", declarou Inocêncio. Apesar de ter sido idealizada pela liderança do PDT, a CPI também foi criticada pelo deputado do partido Vivaldo Barbosa (RJ). Ele não vê sustentação para uma nova comissão sobre o mesmo tema e avalia que a CPI terá conotação política. "Ela vai favorecer politicamente o ministro da Saúde, José Serra - potencial candidato à Presidência em 2002 - que tem suas bases eleitorais em São Paulo". "Diretamente, a comissão beneficia Marta Suplicy - candidata à Prefeitura - diretamente, mas favorece, futuramente, o Serra, porque ele poderá ser o herdeiro dos votos de Maluf e Pitta", avalia Vivaldo.





