Brasília, 27 (AE) - Cerca de 20 parlamentares da oposição tentaram hoje entregar ao presidente Fernando Henrique Cardoso, no Palácio do Planalto, dois carrinhos com compras de supermercado correspondentes ao que se gastaria, de fato, se o decreto de 1938, de Getúlio Vargas, que instituiu o salário mínimo fosse cumprido à risca. Segundo os parlamentares, o mínimo hoje vale 1/8 do valor da época de sua criação. Os deputados foram contidos por soldados do batalhão de choque da Polícia Militar e voltaram com os carrinhos para o Congresso, onde os deixaram em exposição. Os parlamentares da oposição querem o apoio dos colegas da base governista para um aumento do salário mínimo para R$ 180. O governo acena com o aumento de apenas R$ 7 sobre os R$ 130 atuais.
O presidente Fernando Henrique viu a movimentação dos parlamentares quando se despedia do presidente mexicano, Ernesto Zedillo, no topo da rampa, mas ignorou-os. Os deputados discutiam com os seguranças tentando levar os carrinhos ao palácio.
Segundo o líder do PT na Câmara, deputado José Genoíno (SP), pela lei que criou o salário mínimo, 35% do seu valor deveriam ser gastos com alimentação. Para cumprir a lei de Vargas, o salário mínimo hoje deveria ser de R$ 821, pois gasta-se R$ 247 25 para comprar 13 itens de alimentos para uma família de quatro pessoas. Como o mínimo atualmente é de R$ 130, o valor destinado à cesta básica é de apenas R$ 46. "Não dá para nada", disse o deputado Paulo Paim (PT-RS). Segundo ele, a proposta do partido é aumentar o mínimo para apenas R$ 180 porque a oposição entende que não é possível recompor o seu valor de uma só vez. "Seria apenas o início", disse ele, que quer que Fernando Henrique defina o mínimo logo e não espere o dia primeiro de maio, para anunciar novo valor, por medida provisória, como tem feito desde 1995. Paim lembrou que 19 milhões de pessoas vivem com esse salário no País.

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