Deputados rejeitam discussão sobre mínimo
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quarta-feira, 08 de dezembro de 1999
Por Sônia Cristina Silva e Lige Albuquerque 
Brasília,08 (AE) - Enquanto os técnicos do Ministério da Fazenda preparavam estudos sobre a desvinculação do salário mínimo das aposentadorias e pensões da Previdência, deputados da oposição e da base aliada do governo rejeitavam hoje a hipótese de discutir o tema na Câmara.
"Esse assunto não existe aqui", garantiu o líder do governo na Câmara, Arnaldo Madeira (PSDB). "Não há possibilidade de tratar disso neste momento", afirmou.
Madeira disse que apenas acompanhou pela imprensa a polêmica criada por causa do vazamento de informações de um estudo para fazer a desvinculação dos benefícios do salário mínimo. "Sei apenas o que os jornais dizem", afirmou o líder do governo na Câmara. "Mas não dá para mexer com isto agora; temos uma pauta cheia", argumentou. O líder do PFL na Câmara, Inocêncio Oliveira (PE), não quer saber do assunto. "Não vai chegar projeto assim", desconversou Oliveira. "A repercussão não foi boa", admitiu.
Para o deputado Ronaldo César Coelho (PSDB-RJ), haveria muita dificuldade em aprovar uma proposta deste tipo. "O nível das aposentadorias já é tão baixo", justificou o parlamentar, defendendo a construção pela equipe econômica de outra fórmula capaz de superar o déficit da Previdência sem promover um achatamento no valor dos benefícios.
Se os aliados demonstram ceticismo, os partidos de esquerda são radicalmente contra qualquer tipo de tentativa do governo de desvincular a aposentadoria do salário mínimo. "Seria uma insanidade", disse o líder do PT na Câmara, José Genoíno (SP). "O governo jogou um balão de ensaio, viu que houve reação e o recolheu", afirmou o líder petista, referindo-se ao desmentido apresentado pelo governo para o estudo do assunto. "Isso aqui não passa", reagiu o líder do PDT, Miro Teixeira (RJ). "Até a base do governo iria votar contra", aposta.
As exceções existem, mas são cautelosas. "Até votaria a favor, mas o governo precisaria ser mais claro e dizer se está decidido a enviar o projeto", afirmou o primeiro vice-presidente da Câmara, Heráclito Fortes (PFL-PI). "Não pode ser um projeto que massacre quem ganha pouco", ressaltou. Para o deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), que costuma acompanhar o governo nas votações, "a desvinculação não é nenhum tabu e poderia, sim, ser discutida na Casa".


