Deputados querem nova investigação do incêndio na Suframa
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domingo, 20 de junho de 1999
Por Kátia Brasil 
Manaus, 21 (AE) - Os deputados estaduais Mário Frota (PSDB-AM) e Lino Chíxaro (PPS-AM) vão pedir à Justiça Federal do Amazonas a reabertura do processo de investigação do incêndio da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), em maio de 1994. O pedido tem como base a suspeita de falhas no laudo pericial assinado pelo médico legista Fortunato Bandan Palhares - que deverá ter o sigilo bancário quebrado a pedido da Polícia Federal (PF) de Alagoas, que investiga as mortes do empresário Paulo César Farias, o PC, e da namorada dele, Suzana Marcolino.
Na madrugada de 15 de maio de 1994, o fogo destruiu a sede da Suframa e toda a documentação sobre a investigação do escândalo do açúcar - sonegação fiscal da ordem de US$ 2 bilhões
que envolveu empresários paulistas, empresas fantasmas e funcionários da autarquia.
No laudo, Palhares atestou que o incêndio fora causado por um curto circuito. Ele descartou a possibilidade de crime. A Justiça Federal arquivou o processo. Mas, nos bastidores da investigação, peritos e delegados suspeitam, até hoje, da existência de crime.
"Se ele falhou no caso PC Farias, porque não pode ter errado no laudo da Suframa?; a existência de um crime não agradava ninguém naquela época", disse Frota.
Um mês antes do incêndio, a PF e auditores da Suframa tinham constatado a participação de 76 usinas de açúcar do Interior de São Paulo, 48 empresas fantasmas abertas em Manaus e funcionários da Suframa na fraude. Cerca de 20 milhões de sacas de açúcar foram vendidas com isenção fiscal, mas nunca chegaram à Amazônia. Da porta das usinas, o produto era desviado para outro destino.
A existência de um crime àquela altura complicava também a permanência do ex-superintendente Manoel Rodrigues no cargo. Envolvido em escândalos de superfaturamento de obras, ele era mantido no cargo por pressão do grupo político do governador Amazonino Mendes (PFL), disse uma fonte que acompanhou as investigações. Rodrigues foi exonerado em 1995 por decisão do então ministro do Planejamento, José Serra, que, a partir daí, iniciou um processo de despotilização da Suframa.


