TEODORO SAMPAIO - Os deputados Luiz Eduardo Greenhalgh (PT) e Jamil Murad (PC do B) estudam a possibilidade de solicitar ao ministro da Justiça, Nelson Jobim, a intervenção da Polícia Federal na região do Pontal do Paranapanema, a cerca de 600 km de São Paulo. Greenhalgh e Murad estiveram ontem em Teodoro Sampaio, a pedido dos integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), para avaliar o conflito ocorrido domingo entre o MST, a Polícia Militar e funcionários da Fazenda Santa Rita, localizada em Mirante do Paranapanema. ‘‘Queremos que a PF interfira no sentido de desarmar os fazendeiros’’, explicou o deputado do PT.
Os deputados se reuniram com o capitão da Polícia Militar de Teodoro Sampaio, Renato Riukyti, com o prefeito da cidade, Antônio Nunes, e com o delegado Donato Farias de Oliveira. ‘‘Há diversos pontos que devem ser esclarecidos e vamos cobrar isso’’, disse Greenhalgh. Ele questionou a atitude do delegado Ely Sanches, que instaurou o inquérito sobre o caso da Santa Rita. ‘‘No boletim de ocorrência, foi primeiramente redigido que as armas apreendidas no conflito estavam em poder dos sem-terra’’, afirmou. ‘‘Depois, o texto foi corrigido e escrito por cima que as armas eram dos empregados da fazenda’’.
Outro ponto questionado foi o indiciamento dos quatro detidos por crime de resistência. ‘‘Eles praticaram crimes mais graves, como atirar contra a polícia’’, afirmou o deputado. Segundo ele, os quatro funcionários detidos são contratados da PM de Dourados, no Mato Grosso do Sul, em férias. ‘‘Não são seguranças, o que mostra que os fazendeiros estão se armando com uma estrutura paramilitar’’.
Os deputados irão redigir um relatório sobre os fatos e enviar aos governos estadual e federal. ‘‘O governo precisa tomar providências, caso contrário São Paulo irá viver uma tragédia’’, disse Greenhalgh. O tenente Bertolino Lustosa, da PM de Teodoro Sampaio, explicou que a demora da polícia em agir contra os invasores e os funcionários da Santa Rita que atiravam contra os trabalhadores domingo esteve relacionada à escassez de policiais no local assim que o conflito teve início. ‘‘Tivemos de pedir reforço para interferir’’, afirmou.
O oficial garantiu que a polícia do Pontal está orientada para conter a destruição de cercas das propriedades e as invasões de terra, assim como a reação de seguranças. ‘‘Temos uma posição de neutralidade’’, garantiu.

mockup