Deputados preparam ação ambiental contra CSN no Rio
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quinta-feira, 19 de agosto de 1999
Por Clarissa Thomé 
Rio, 20 (AE) - A Comissão de Defesa do Meio Ambiente da Assembléia Legislativa vai entrar com ação civil pública contra a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) com base na lei federal de crimes ambientais, acusando-a de supostamente expor os moradores à contaminação do ar e dos rios. O presidente da comissão, deputado Carlos Minc (PT), divulgou relatórios que classificam a cidade de Volta Redonda como recordista nacional de poluição do ar por benzeno, que pode causar leucopenia (diminuição do número de glóbulos brancos). "Há dois anos a Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (Feema) tem esses dados, mas alguém recebeu muito dinheiro para ficar em silêncio", acusa o deputado.
O superintendente de Meio Ambiente da CSN, Luiz Cláudio Castro, afirma que o levantamento foi realizado antes da instalação de filtros que impedem o vazamento de benzeno. "Houve redução de três mil vezes na concentração do produto no ambiente de trabalho." O gás benzeno é emitido pela queima do carvão usado no setor de coqueria da siderúrgica.
De acordo com a Associação dos Portadores de Benzolismo, 700 pessoas sofrem de leucopenia na cidade, e a Secretaria Municipal de Saúde de Volta Redonda tem registro de 347 pacientes. "Não precisa trabalhar direto na coqueria para ficar doente", afirma o mecânico Iraci do Nascimento de Assis, de 46 anos, que contraiu leucopenia depois de montar o alto forno da siderúrgica.
A CSN e o governo estadual assinaram convênio cinco anos atrás, em que a siderúrgica se comprometia a investir R$ 80 milhões para recuperação do meio ambiente em vez de pagar multas ambientais de R$ 30 milhões.
"Nessa ocasião, um monitoramento indicava que havia até três mil vezes mais concentração de benzo-a-pireno (outro poluente derivado do carvão) do que o permitido pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente nos sedimentos do Rio Paraíba do Sul"
afirmou Minc.
Recente levantamento da Feema detectou concentração do produto químico em Volta Redonda em até 91 mil vezes mais do que o encontrado no trecho do rio que corta o município de Resende, a 50 quilômetros de distância.
Os técnicos da fundação recolheram peixes deformados por papilomas (tumores), apelidados de "tortinhos" pela população. O deputado afirmou que vai pedir a cobrança da multa devida pela CSN (R$ 50 milhões, atualmente) à Feema e à Comissão Estadual de Controle Ambiental, além de exigir que a companhia cumpra em seis meses o acordo feito com o governo.
"Dizer que os peixes estão deformados é uma extrapolação; não há comprovação científica que ligue a poluição aos peixes", afirma o superintendente de Meio Ambiente da siderúrgica. "Há um filtro parcial, e só vaza para o rio pequena quantidade de partículas". Castro afirma que a empresa gastou R$ 26 milhões, e mais R$ 108 milhões serão investidos em obras que devem se iniciadas até o fim deste mês. Ele alega que houve atraso no cronograma por causa da desvalorização cambial de janeiro, quando os fornecedores teriam reapresentado orçamentos.


