Deputados pedem a FHC maior discussão sobre venda da Chesf
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quarta-feira, 10 de março de 1999
Por Tânia Monteiro 
Brasília, 11 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso recebeu hoje uma comissão suprapartidária, integrada por deputados do Nordeste, que pediu o adiamento, por quatro meses, da assembléia da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf)
marcada para o dia 29, que vai decidir sobre a divisão da empresa em quatro partes para ser privatizada. Os deputados não concordam com a venda, defendem a necessidade de uma discussão ampla sobre o assunto e advertem que, se o presidente insistir na privatização da Chesf, poderá criar conflito na sua própria base. O presidente prometeu estudar o assunto.
O deputado Marcelo Déda (PT-SE) disse que a conversa foi "descontraída" e contou que foram citados o filósofo alemão Friedrish Engels e o cantor e compositor Caetano Veloso. Depois de defender a necessidade de uma agenda positiva, o presidente citou trecho de Engels, que fala do isolamento dos parlamentares das questões nacionais.
Déda, em seguida, respondeu alertando que, para se encontrar pontos em comum para discussão de uma agenda positiva, a questão estava com ele, porque o governo tem uma base parlamentar muito confortável. O deputado petista acrescentou, citando Caetano Veloso, que "cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é", e brincou, acentuando que o presidente sabia exatamente da dor e da delícia de possuir uma base de 400 parlamentares. "Eu realmente sei qual é a dor", completou o presidente, rindo.
Em seguida, o deputado Déda disse que a oposição não se sente responsável pelo fato de não se conseguir discutir uma agenda positiva para o País. "A oposição não veste a carapuça", observou ele, que garantiu não se incomodar em ouvir "recados" do presidente. "Viemos discutir Chesf, e não polemizar."
Déda contestou a necessidade de privatizar a Chesf e criticou a pressa do governo nesse processo, que, na sua opinião, poderá provocar graves problemas de abastecimento para as populações e para a irrigação. O presidente defendeu a tese da privatização, explicando que ela não trará nenhuma complicação além das atuais. A privatização da Chesf está incluída no programa de ajuste econômico aprovado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), para o primeiro semestre. Déda acentuou que até o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães, está contestando a intromissão exagerada e indevida do FMI nas questões nacionais. O deputado observou também que, enquanto o presidente seguir as regras do FMI, sem dar ouvidos a mais ninguém, será difícil haver pontos de contato para se chegar a um entendimento.
Fernando Henrique lembrou que quando era ministro da Fazenda de Itamar Franco, ele e o ex-presidente conversavam longamente sobre "a sede dos políticos para dirigir empresas estatais, particularmente as teles", e comentou que ambos discordavam da necessidade de haver indicação política para esses cargos.
Déda completou dizendo que, para acabar com essa disputa, basta nomear técnicos para dirigir as estatais. O presidente justificou ainda que tanto ele quanto Itamar não têm formação privatista.


