Brasília, 04 (AE) - Os deputados Rodrigo Maia e Eduardo Paes, pefelistas, cariocas e com menos de 30 anos, são amigos e compadres. Lado a lado, os dois passaram a tarde de hoje sentados nas cadeiras do plenário da Câmara, discutindo os efeitos da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), revezando discursos na tribuna e ouvindo depoimentos entusiasmados de outros colegas também novatos no Parlamento.
Como eles, outros 98 novos parlamentares garantiram movimento na Casa hoje e quórum bem acima do necessário para atender à estratégia do governo na tramitação da CPMF. Dos antigos, apenas 53 passaram pelo plenário hoje.
Se depender da empolgação com que os novos parlamentares assumiram os mandatos, o governo não vai deixar de atingir o quórum mínimo de 51 deputados para abrir as sessões na próxima semana e contar prazo para a proposta da CPMF. "Temos obrigação de atender ao chamado do governo", afirmou Maia, filho do ex-prefeito do Rio César Maia (PFL). "Além de tudo, é um bom momento para aprender a usar o microfone no plenário", completou o colega Paes.
Além de acelerar a tramitação da CPMF, a autoconvocação do Congresso nas duas semanas que antecedem o carnaval está servindo como uma escola para os novos deputados que começaram a frequentar a Câmara em janeiro, antes mesmo de tomar posse. Os deputados aproveitam o plenário abandonado pelos veteranos para treinar os discursos, aprender a usar o painel eletrônico e lidar com a inibição de iniciante. Chegaram fartos de idéias para apresentar à Nação, mas não escaparam de sentir as primeiras frustrações.
"Esta autoconvocação é uma farsa desnecessária", afirma o deputado calouro Dr. Rosinha (PT-PR), avisando que não pretende voltar na próxima semana. "O governo não pode acusar a oposição de não ter tentado dialogar", adverte, enquanto reclamava da estrepolia de alguns ex-colegas, ao colar a mão em chicletes velhos pregados por debaixso das bancadas do plenário.
Já o deputado Wilson Santos (PMDB-MT) trouxe as malas e a família para Brasília e promete assiduidade na autoconvocação. Santos pretende estabelecer uma rotina de ficar 14 dias seguidos na capital e retornar ao Estado por 5 dias. Apesar da disposição para atender ao apelo do governo, ele pretende adotar uma postura mais crítica com relação à da base governista. "O presidente Fernando Henrique cedeu mais que o necessário ao capital internacional e se omitiu da possibilidade de liderar um novo bloco latino-americano", disse Santos, anunciando os "novos ventos" do PMDB.
A participação mais assídua dos novos parlamentares coincide com o desejo de que o Congresso seja conduzido de forma mais autônoma. "Todo governo precisa utilizar de seus instrumentos de maioria parlamentar no Legislativo, mas o papel do Congresso deve ser de independência", defendeu o deputado Luiz Antônio Fleury Filho (PTB-SP). Ex-governador de São Paulo e também procurador da Justiça paulista, Fleury Filho vivencia a primeira experiência no Legislativo, e a euforia com o novo trabalho lhe garantiu o apelido de "piolho de Congresso".

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