Belo Horizonte, 16 (AE) - A Assembléia Legislativa de Minas Gerais aprovou hoje a criação da "narcotaxa", um novo imposto que visa à arrecadação de fundos para o combate ao crime organizado e vai pesar no bolso dos motoristas mineiros. A taxa de R$ 45,00 será cobrada com o pagamento do Imposto sobre Propriedade de Veículos (IPVA). A estimativa é de arrecadar R$ 140 milhões com o novo imposto. O dinheiro ficará à disposição da Secretaria de Segurança Pública para ser utilizado em programas de combate ao narcotráfico. O projeto instituindo a nova taxa foi aprovado por 33 votos a favor e 21 contra.
O presidente da Comissão de Direitos Humanos, deputado João Leite (PSDB), foi um dos que condenaram a criação da taxa. "Não precisamos de um novo imposto para combater o tráfico de drogas e sim de um novo modelo de ação." Os próprios membros da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o narcotráfico em Minas foram contrários à criação da taxa. O vice-presidente da Comissão, Paulo Piau , alertou para o risco de que o dinheiro arrecadado vá para o caixa único do Estado e acabe não sendo utilizado nos programas de combate ao crime organizado.
Ao contrário dos deputados da comissão mineira, o presidente da CPI nacional do Narcotráfico, Magno Malta (PTB), defendeu a criação do imposto quando esteve em Belo Horizonte, na semana passada. O deputado federal propôs a cobrança em conta telefônica de taxas mensais de R$ 5,00 ou R$ 3,00, dependendo da renda do assinante. O projeto de lei número 705/99 inclui, além da "narcotaxa", a criação de outros 75 novas taxas, como taxas de cadastro para asilos e creches. Para entrar em vigor, o projeto precisa ser sancionado pelo governador Itamar Franco (PMDB).
Depoimentos - A CPI do Narcotráfico de Minas tomou hoje os depoimentos do delegado Marco Antônio Shedid e do corregedor de polícia Clóvis Gonçalves Filho. O delegado era titular do Departamento de Operações Especiais (Deoesp), de onde o traficante Fernando Beira-Mar fugiu em março de 1997. Gonçalves Filho foi o responsável pelo inquérito sobre a fuga do traficante.
Os membros da comissão querem esclarecer a misterioso episódio, pelo qual apenas um policial foi afastado. A comissão já recebeu denúncias sobre o envolvimento de policiais, empresários e até deputados estaduais no esquema de corrupção para a fuga de Beira-Mar. O procurador de Justiça, Gilvan Alves Franco, já declarou que poderá pedir a reabertura do inquérito.

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