Deputados do PT querem acelerar investigações da CPI
Brasília, 15 (AE) - Os deputados do PT integrantes da CPI dos Medicamentos começam a desenhar um quadro de rebelião diante da considerada "passividade" dos trabalhos de investigação. Essa semana, uma reunião vai definir a tática que o partido pretende adotar para acelerar investigações sobre a atividade da indústria farmacêutica. "Vamos buscar o apoio de outros parlamentares de oposição e inclusive da base do governo na CPI", anunciou, hoje, o deputado Geraldo Magela (PT-DF).
O movimento tem início justamente quando o presidente da CPI, deputado Nelson Marquezan (PSDB-RS) revela o desejo de obter o apoio da maioria dos colegas para atuar com o que chama de "cautela". Marchezan diz que pretende evitar ímpetos eventualmente prejudiciais à própria comissão. Defende, por exemplo, que a quebra de sigilo bancário dos laboratórios somente seja aprovada se a quebra do sigilo fiscal mostrar necessidade. "Temos que sedimentos, nos fundamentar", alega Marquezan.
"Não se trata de oposição a Marchezan, mas sabemos que ele e o relator (deputado Ney Lopes (PFL-RN) resistem à quebra de sigilo bancário, que consideramos essencial", disse Geraldo Magela. "Além disso, não queremos uma CPI apenas para fazer propaganda do Serra", disse o deputado, referindo-se ao ministro da Saúde, José Serra, que apoiou a criação da comissão. "Queremos uma CPI para valer", diz Arlindo Chinaglia (PT-SP). "Essa CPI está muito passiva", acredita ele.
Marchezan, contudo, alega que a quebra do sigilo fiscal será importante para analisar importações de insumos para fabricação de remédios no Brasil e as planilhas das indústrias farmacêuticas, onde estariam aferidos seus lucros. "Além disso, poderemos comparar planilhas de laboratórios oficiais e indústrias". B.O - Amanhã, a CPI vai ouvir novamente o presidente da Associação Brasileira das Redes de Farmácias, Aparecido Camargo, que declarou anteriormente à comissão a existência de "porcarias" no mercado. Segundo ele, há remédios chamados "bons para otários". A CPI quer a lista destes remédios e ainda saber se a rede de Camargo comprou medicamentos de um laboratório clandestino, fechado em Uberlândia. Também o presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVS) do Ministério da Saúde, Gonçalo Vecina, será ouvido amanhã sobre a fiscalização dos medicamentos feita pelo governo. Marchezan anunciou, ainda, a disposição de começar a investigar as distribuidoras, para saber sobre margem de lucro e possíveis irregularidades no setor.





