Salvador, 30 (AE) - Os deputados da oposição na Bahia realizam amanhã (31), em Juazeiro, a 500 quilômetros de Salvador
ato público reivindicando a abertura de uma versão estadual da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico para investigar as denúncias que envolvem autoridades do Estado, feitas em novembro pelo desembargador Lourival Ferreira.
O magistrado diz ter sido pressionado pelo líder do governador César Borges (PFL) na Assembléia Legislativa, Pedro Alcântara (PFL), e os desembargadores Walter Brandão e Mário Albiani, para libertar o acusado de assalto de cargas Wander Dornelles, detido no Presídio de Feira de Santana. Os três acusados negaram a pressão.
Sufocados pela ampla maioria situacionista na Assembléia Legislativa (o governo baiano controla 47 dos 63 deputados da Casa), os 16 deputados oposicionistas tentam, com a manifestação
não deixar o caso ser esquecido, como articula o PFL e partidos coligados. "Queremos pressionar para que a CPI seja instalada, pois nada foi investigado, apesar da seriedade da denúncia", disse o líder do bloco formado por PT e PC do B, Luís Bassuma.
Segundo ele, cerca de 30 mil panfletos, com o histórico do caso
serão distribuídos em Juazeiro. Os oposicionistas escolheram a cidade para realizar a manifestação por ser a base política de Alcântara, cujo cabo eleitoral Edmar Medrado foi preso no inicio do ano, acusado de pertencer à quadrilha de Dornelles.
A resposta do PFL ao caso foi criar uma CPI para investigar as denúncias, feitas por um militante petista, de que o deputado Yulo Oiticica (PT) mantém funcionários fantasmas no gabinete da Assembléia Legislativa. Oiticica, em 1999, integrou uma comissão de deputados da oposição que visitarou o papa João Paulo II, no Vaticano, para entregar um dossiê com os supostos crimes envolvendo a polícia baiana e relatando o caso de Dornelles.

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