Brasília, 2 (AE) - O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, vai reunir-se hoje, às 12h30, com um grupo de deputados integrantes da comissão especial da Câmara que discute a reforma tributária. Os deputados Walfrido Mares Guia (PTB-MG), Fetter Junior (PPB-RS), Marcos Cintra (PL-SP), Roberto Argenta (PHDBS-RS) e Alberto Mourão (PMDB-SP) estão percorrendo os principais gabinetes do Poder Executivo em busca de apoio para incluir na emenda aglutinativa que está sendo negociada para viabilizar a aprovação da reforma tributária um dispositivo constitucional que substitui a contribuição patronal à Previdência Social pelas receitas do futuro Imposto sobre Movimentações Financeiras (IMF). Eles já conversaram com o ministro da Previdência, Waldeck Ornélas, e com o secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, que não teriam feito objeções à proposta, segundo Mares Guia.
Para os próximos dias, estão sendo agendadas reuniões com o ministro da Fazenda, Pedro Malan, e com o presidente Fernando Henrique Cardoso. "Vamos mostrar a eles que a idéia é revolucionária", afirma Mares Guia. Para substituir os R$ 28 bilhões de reais da contribuição patronal, seria necessária uma alíquota de 0,6% do IMP, quase o dobro da atual alíquota de 0 38% da CPMF. Na conversa com Fraga, os deputados querem levantar dados sobre o impacto monetário dessa cobrança, pois existem estudos que indicam um aumento da desintermediação bancária na medida em que a alíquota de um imposto sobre movimentação financeira cresce.
Apesar do "entusiasmo" do grupo de deputados pela proposta, as chances de sua aprovação não são boas. Além que contar com a oposição da Associação Nacional dos Fiscais da Previdência (Anfip), a idéia esbarra no ministro da Saúde, José Serra (PSDB), que perderia recursos "carimbados" para seus programas, e no presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL), que quer destinar parte do IMF para o Fundo de Combate à Pobreza.