Deputados criticam novo mínimo
Brasília, 24 (AE)- Os poucos deputados que compareceram à sessão da Câmara não-deliberativa de hoje concentraram seus discursos na crítica ao novo valor do salário mínimo e na forma como foi anunciado ontem pelo governo federal. O presidente da comissão especial que discute a matéria na Câmara, deputado Paulo Lima (PFL-SP), disse que a comissão se sentiu surpresa pelo valor, mas continuará trabalhando para elevar o número do governo. "Teremos a capacidade de oferecer alternativas antes do dia 3 de abril, para que se ofereça salário maior", disse Lima.
O deputado Paulo Paim (PT-RS) disse que "está em jogo a democracia, os homens públicos e os partidos políticos". Segundo o deputado, o povo não entenderá que os mesmos partidos que ontem estavam defendendo salário equivalente a US$ 100 digam hoje que "era tudo brincadeirinha". O deputado Luiz Antônio Medeiros (PFL-SP) apoiou as críticas de Paim e disse que vai exigir do seu partido coerência na rejeição ao valor proposto pelo governo. "O partido me incentivou (na luta pelo mínimo equivalente a US$ 100) e disse que não apoiaria a proposta de 151 reais", afirmou Medeiros. O deputado Caio Riela (PTB-RS) citou em um aparte a Paim declarações do presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães, nas quais o senador afirmava que um aumento de R$ 14 ao mínimo era impossível de ser aceito pelo Congresso e que se a Casa aceitasse a proposta não merecia existir. "Tomara que o senador Antônio Carlos Magalhães mantenha sua palavra", afirmou Riela. O deputado Synval Guazzelli (PPB-RS) considerou um grave erro político do Palácio do Planalto a forma como foi feita a fixação do valor do mínimo. Ele disse que os parlamentares foram chamados apenas para ouvir a definição do governo e não para discutir os estudos que estavam sendo feitos pela comissão especial da Câmara. "Enquanto estávamos trabalhando, o governo decidiu num canetaço", afirmou.





