Deputados cooperativistas esperam por recursos do Recoop
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terça-feira, 25 de janeiro de 2000
Por Renato Andrade 
Brasília, 25 (AE) - Os deputados da Frente Parlamentar de Cooperativismo (Frencoop) e representantes de 15 cooperativas estaduais, decidiram hoje, em reunião realizada na Casa Civil da Presidência da República, que não haverá nenhum tipo de boicote às votações no Congresso em decorrência da não-liberação de recursos previstos no Programa de Revitalização das Cooperativas de Produção Agropecuária (Recoop), pelo menos, até o próximo dia 7 de fevereiro.
Segundo o presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Dejandir Dalpasquale, até esta data o governo estará trabalhando para que sejam efetuadas novas mudanças no texto da Medida Provisória (MP) que estabeleceu o Recoop, para tentar resolver assim o impasse na liberação de novos recursos para às 321 cooperativas enquadradas no programa.
Neste dia 7 será feita a reedição da MP. O principal problema identificado na estrutura do Recoop é que os bancos não querem assumir o risco de fazer a liberação de novos créditos para investimentos e custeio destas cooperativas. O deputado Francisco Graziano (PSDB-SP), que tem trabalhado como articulador entre o governo e os cooperativistas, e que também participou da reunião de hoje, disse que o secretário-executivo da Casa Civil, Silvano Gianni, grantiu que a direção do Banco do Brasil, a principal instituição financiadora do programa, estará repassando às suas superintendências estaduais normas "mais claras" sobre os procedimentos para apreciação dos projetos de reestruturação financeira das cooperativas e a liberação dos recursos.
Na reestruturação da MP que institui o Recoop, governo e cooperativistas pretendem arrumar uma solução para que o Tesouro Nacional seja o responsável pelo risco das operações de liberação de novos recursos. Pelo previsto no Recoop, seriam liberados R$ 800 milhões para novas operações de crédito, além de R$ 2,1 bilhões para a rolagem de dívidas antigas.
Dalpasquale insiste que não haverá risco para o Tesouro assumir estas operações. "As cooperativas terão 15 anos para efetuar o pagamento deste débitos, não haverá inadimplência", frisou. Além de Dalpasquale e Graziano, participaram da reunião na Casa Civil os deputados Hugo Biehl (PPB-SC), Abelardo Lupion (PFL-PR), Ronaldo Caiado (PFL-GO) e o senador Jonas Pinheiro (PFL-MT), além de representantes de 15 cooperativas estaduais, entre elas de São Paulo, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás.
Apesar da decisão tomada, a mobilização marcada para o próximo dia 15 de fevereiro pela direção das cooperativas estaduais em Brasília está mantida. "Queremos transformar o que seria um ato de desagravo ao governo numa solenidade de assinatura de 100 contratos de revitalização de cooperativas", afirmou o deputado Francisco Graziano (PSDB-SP). Entre os dias 4 e 5 de fevereiro, as cooperativas estaduais farão uma série de encontros em suas sedes para preparar a manifestação. "Dessa vez, não iremos nos desmobilizar", frisou Dalpasquale.


