Curitiba- A discussão sobre a criação de Unidades de Conservação Ambiental no Paraná chegou ontem à Assembléia Legislativa. Os principais pontos de divergência entre os ambientalistas e os produtores são as restrições ao manejo nas áreas a serem conservadas e o preço baixo que o governo pretende pagar aos proprietários de terras nas novas unidades de conservação. Deputados com base eleitoral no interior manifestaram-se contra a proposta.
O deputado Nereu Moura (PMDB) afirmou que o projeto inviabiliza a capacidade econômica dos municípios. ''É só vermos o caso de Palmas. A unidade de conservação lá vai paralisar toda atividade econômica. O ministério alega que quer preservar espécies que nem existem mais nos locais'', disse Moura.
O deputado Marcos Isfer (PPS) também revoltou-se contra o preço que o MMA pretende oferecer aos proprietários de terras. ''Eles querem pagar apenas pela área, sem levar em conta a mata preservada em cima dela. Quer dizer que o proprietário passa anos preservando a mata nativa para depois receber por ela o mesmo preço que ganharia se tivesse a posse de um deserto improdutivo? Nesses moldes, é claro que todos os proprietários são contra a idéia do ministério'', lembrou Isfer.
Alguns deputados do PT fizeram a defesa do projeto. ''O problema é que todo mundo se diz a favor da preservação, mas desde que não seja nas suas terras. Quando se fala no desmatamento em Roraima, todo mundo protesta e faz cara de espanto. Mas quando acontece no Estado, ainda tem gente que defende'', salientou Tadeu Veneri (PT).
A reunião com o governo do Estado segue um calendário de audiências públicas que o Ministério do Meio Ambiente vem realizando nos municípios atingidos. Em alguns casos, as audiências estão longe de alcançar os resultados desejados.

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