São Paulo, 11 (AE) - Os deputados argentinos superaram um dos principais entraves para a aprovação da reforma trabalhista ao definir o período de experiência para a contratação de empregados. Segundo o jornal Clárin, falta, no entanto, acertar outro ponto importante para a reforma, a questão da descentralização dos sindicatos, à qual se opõem os peronistas e a maior central sindical argentina, a CGT (Confederação Geral do Trabalho), que convocou, para o próximo dia 24, uma manifestação com paralisação de atividades .
Em reunião, ontem (10), da Comissão de Legislação do Trabalho da Câmara, os deputados da Aliança, no poder, e da oposição peronista decidiram fixar em três meses o período de experiência antes da contratação. O prazo poderá ser estendido a seis meses se houver acordo entre empregados e empregadores. As pequenas e médias empresas deverão adotar o período de experiência de seis meses, podendo também ampliar o prazo para um ano.
A expectativa é que a reforma seja aprovada na próxima semana na Câmara dos Deputados. Em análise divulgada esta semana, o Deutsche Bank afirma que a reforma deve passar pelo plenário da Câmara sem maiores dificuldades, uma vez que o projeto da Aliança, do presidente Fernando de la Rúa, conta com o apoio do ex-ministro Domingo Cavallo. Com os deputados aliados de Cavallo
o projeto deve conseguir o número suficiente de votos para sua aprovação.
No Senado, no entanto, espera-se maior oposição à reforma. O Deutsche Bank lembra que o projeto confere, por exemplo, maior poder aos sindicatos regionais na representação dos trabalhadores, atualmente um direito exclusivo da nacional CGT. Além disso, o projeto prevê que os governos regionais terão maior participação nas discussões trabalhistas. "A lealdade dos senadores aos governadores das províncias não está garantida", explica o relatório do banco.
Segundo o Deutsche, muitos governadores de províncias, sobretudo aquelas que exportam para o Brasil, reconhecem a importância da mudança proposta por De la Rúa para flexibilizar o mercado de trabalho. Com a crescente popularidade do presidente, é possível que a oposição não queira correr o risco de arcar com o custo político de rejeitar uma legislação que "terá um impacto significativo na percepção dos participantes do mercado sobre a Argentina", conclui o Deutsche.

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