Buenos Aires, 01 (AE) - Um grupo de deputados do Partido Justicialista (também conhecido como "peronista") apresentou um projeto de declaração de repúdio a uma guia de investidores elaborado pela Embaixada do Brasil em Buenos Aires. O guia, um manual de procedimentos sobre como investir no país, causou polêmica na mídia argentina, que o encarou como uma traiçoeira tentativa de seduzir o empresariado para mudar-se ao Brasil. Com uma dura linguagem, os deputados afirmam que o Brasil está "depredando" a Argentina.
Em dezembro, a União Industrial Argentina (UIA) declarou que estava ocorrendo um êxodo sem precedentes de indústrias argentinas ao Brasil. Segundo um relatório da UIA, cem empresas teriam partido parcial ou completamente para o vizinho do Mercosul, causando a perda de 10 mil empregos na Argentina.
Mas, o que havia sido feito como forma de pressionar o governo para conseguir favores, obteve um efeito paralelo inesperado: centenas de pequenos empresários foram seduzidos pelas próprias declarações dos líderes da UIA, onde abundavam detalhes sobre estímulos fiscais proporcionados pelos municípios brasileiros.
No projeto de declaração, os deputados repudiam o que denominam de "publicidade e distribuição de forma gratuita" do guia para investidores. Segundo os deputados, trata-se de uma "atitude deliberada de provocar o êxodo de empresas" argentinas, oferecendo "pacotes de financiamento subsidiado, créditos fiscais e isenções tarifárias".
Os deputados sustentam que "o objetivo de lesar as empresas é óbvio", já que "o guia ressalta que o único requisito exigido a um empresário para instalar-se no Brasil é ser argentino e contar com um capital mínimo". No entanto, no guia nada consta sobre isso.
No projeto, os peronistas sustentam que "o processo iniciado pelo Brasil danifica significativamente o Mercosul, já que nenhum processo de integração pode sustentar-se com a base de depredação das indústrias do outro país-membro".
O autor do projeto de repúdio é o deputado Carlos Alessandri, um dos principais aliados do governador da província de Córdoba, José De la Sota. O projeto não terá implicações práticas, já que consiste apenas em uma declaração.