Brasília - Cerca de 70 deputados da Comissão de Segurança Pública da Câmara, policiais federais, procuradores da República e representantes do Ministério da Defesa começam na próxima semana, uma devassa em vários Estados, para investigar denúncias contra o crime organizado. A blitz nacional, que foi decidida ontem pela Comissão, vai atingir inicialmente as regiões onde existem denúncias de violência e presença do narcotráfico. Inicialmente, deverão ser solicitadas quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico dos principais suspeitos.
Por ser de caráter permanente, a Comissão de Segurança tem autonomia para receber, avaliar e investigar denúncias relacionadas ao crime organizado, narcotráfico, violência rural e urbana, entre outras. A única diferença em relação a uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) é que os parlamentares não podem pedir ou decretar prisões, nem requisitar quebras de sigilos bancários, fiscais ou telefônico. ''Por este motivo, estamos contando com a colaboração da PF e Ministério Público Federal'', afirmou o presidente da comissão, deputado Moroni Torgan (PFL-CE).
O trabalho deverá ser semelhante ao que foi feito pela CPI do Narcotráfico, há dois anos, quando foi realizada uma devassa em todo o País, embora poucas providências tenham sido tomadas depois da apresentação do relatório final. A comissão de Segurança, além das prerrogativas de investigação, pode atuar em ações relacionadas ao sistema penitenciário, legislação penal e processual penal, do ponto de vista da segurança pública.
O programa de trabalho para os Estados será decidido na próxima semana. Inicialmente, serão formados dez grupos que serão distribuídos por várias regiões. A comissão ainda não definiu de que forma irá trabalhar, mas durante as duas últimas semanas convocou representantes dos Ministérios da Justiça, Relações Exteriores e Defesa para expor os problemas relacionados à violência. Ontem, o subsecretário de política bilateral do Itamaraty, embaixador Gilberto Sabóia, falou sobre a segurança nas fronteiras brasileiras, ressaltando que o País está reformulando seus acordos com a Colômbia.
Alguns dos 35 titulares da comissão de Segurança fizeram parte da CPI do Narcotráfico. Além de Torgan, estão no atual grupo, os deputados Pompeu de Matos (PDT-RS) e Laura Carneiro (PFL-RJ).

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