São Paulo, 04 (AE) - A volta do gatilho para corrigir o salário mínimo - ou a reposição semestral da inflação, será proposta pelo deputado Paulo Paim (PT-RS) na Câmara Federal, depois do Carnaval. Mas a indexação de salários ainda é assunto polêmico no próprio movimento sindical, seja o ligado à Central Única dos Trabalhadores ou à Força Sindical. "Nesse momento, não devemos privilegiar a discussão da indexação, e sim do emprego", afirmou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho, da CUT. Já para o presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo e também vice-presidente da mesma CUT
João Vaccari Neto, algum mecanismo é necessário porque qualquer perda decorrente da inflação significará transferência de renda dos mais pobres para os mais ricos, o que inibe ainda mais a atividade econômica e agrava o desemprego.
Pela Força Sindical, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Paulo Pereira da Silva, disse apoiar a indexação do salário mínimo, mas não a dos demais ganhos dos trabalhadores. "O meu medo é a gente colocar mais gasolina na fogueira dos preços", disse Paulinho. "É melhor só proteger o mínimo e deixar os outros salários para a livre negociação."
Para Marinho, o movimento sindical deve lutar, em primeiro lugar, para coibir aumentos de preços porque a volta da inflação num momento de desemprego será um "desastre" para os trabalhadores. Vaccari, contudo, lembrou que o único preço na economia que não está sendo reajustado é o salário. "Todos os outros preços aumentam em decorrência da pressão de custos", disse o líder bancário. "Aumento de salário é decorrência, e não causa da inflação." Os três concordam num ponto: na data-base, uma vez por ano, bancário, metalúrgico e qualquer outro trabalhador vai buscar recuperar suas perdas, sejam de 2%, 10% ou mais. E ainda que o debate sobre o salário mínimo seja baseado num plano de recuperação de longo prazo, para propiciar melhor distribuição de renda.
Projeto - O deputado Paulo Paim já conseguiu aprovar o regime de "urgência urgentíssima" para seu projeto, que prevê elevação do valor do salário mínimo para R$ 208 e recomposição pela inflação. A forma dessa recomposição - gatilho, com reposição automática a cada vez que a inflação atingir 10% ou reajuste semestral com base na inflação passada - ainda será debatida com outros deputados.
Desde 1995 Paim tenta aprovar esse projeto, que também autoriza o Executivo a estender a correção salarial para aposentados, pensionistas e para o funcionalismo público. Até hoje, não teve sucesso. Mas a volta da inflação fará com que o debate pelo menos seja mais acalorado do que nos anos anteriores
quando o custo de vida estava rigorosamente controlado.

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