Deputado vai pedir ao MP desligamento de Angra 1
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terça-feira, 28 de setembro de 1999
Por Felipe Werneck 
Rio, 29 (AE) - O presidente da Comissão de Meio Ambiente da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, deputado Carlos Minc (PT), disse que na segunda-feira vai pedir ao Ministério Público Federal o desligamento do reator nuclear da Usina Angra 1. O motivo são as oito interrupções "não programadas" na unidade desde o início do ano, em consequência de supostos problemas de segurança. Peritos do Grupo de Assessoramento Técnico (Gat) criado pelo MPF para acompanhar o caso estão preparando um laudo sobre a questão.
O superintendente de Relações Institucionais da Eletronuclear, Luiz Soares, confirmou os sucessivos desligamentos, mas disse que eles são decorrentes de "questões operacionais relacionadas principalmente problemas externos à usina", como distúrbios no sistema nacional de energia elétrica. "Os desligamentos podem diminuir o ciclo do combustível nuclear e causam prejuízo, por isso comunicamos o problema à Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnem), mas não afetam a segurança de Angra 1", afirmou.
A meta de desligamentos não programados é de um por ano. O físico Luiz Pinguelli Rosa, da Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que apresentou ao MPF o relatório com as supostas irregularidades na usina, afirma que os desligamentos não programados provocam tensões "excepcionais" no combustível nuclear. Segundo ele, a corrosão do gerador de vapor da usina, que estaria progredindo, agrava as condições de funcionamento do reator.
Para Minc, o problema está acontecendo por causa de "razões econômicas". "Houve corte de pessoal e não está havendo reposição de uma série de sobressalentes." Segundo a Eletronuclear, Angra 1 produz 10% da energia total consumida no Estado do Rio.


