Deputado teme conflito em Puerto Índio
Lúcio Flávio Moura
De Foz do Iguaçu
Especial para a Folha
O deputado federal Roque Zimmermann (PT-PR) foi desaconselhado por autoridades paraguaias a visitar a região de Puerto Índio (140 quilômetros ao nordeste de Foz), na margem do Lago de Itaipu (leste do país), localidade que é palco de um conflito entre sem-terra paraguaios e imigrantes brasileiros.
Conversei com políticos e policiais de Ciudad del Este e todos me disseram que a presença de um parlamentar brasileiro naquela região poderia irritar os campesinos e acirrar o conflito, disse padre Roque.
Segundo o parlamentar, que visitou a fronteira a convite da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e do Centro de Direitos Humanos (CDH), a tensão aumentou muito em Puerto Índio com as ameaças dos campesinos aos agrimensores do Instituto de Bem-Estar Rural (IBR), que faziam um censo agrário na região.
O censo, considerado pelos brasiguaios como a última esperança para se apaziguar os ânimos na localidade, foi suspenso ontem pelo IBR. Embora escoltados por homens da Polícia Nacional, os agrimensores foram intimidados, na quarta-feira, por dois mil sem-terra a chegada de novos contingentes se acelerou nos últimos dias , que não permitiram a continuidade do levantamento.
Com o censo, o IBR pretendia dar uma palavra final sobre as dimensões exatas e a situação legal das 63 propriedades de brasileiros, invadidas e depredadas pelos sem-terra.
Aquela região é uma bomba-relógio que pode ser detonada com o primeiro disparo, comparou o deputado. Padre Roque diz que tem informações confiáveis de que os dois grupos estão organizando milícias para um eventual confronto.
Quando chegar a Brasília, Padre Roque vai entregar um relatório ao Itamaraty, à Câmara de Deputados e à Presidência descrevendo o conflito. O documento deverá acusar as autoridades paraguaias de não demonstrar interesse em legalizar a documentação pessoal e dos imóveis dos imigrantes brasileiros.
O deputado também quer articular a criação de uma comissão com parlamentares dos dois países para discutir a situação. Não precisamos deixar a coisa piorar, podemos nos mobilizar agora, disse.





