São Luís, 15 - O deputado estadual Francisco Caíca (PSD) deve adiar seu depoimento marcado para quarta-feira (17) à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico, em Brasília. Caíca, suspeito de envolvimento com o crime organizado no Maranhão, entrou em estado de depressão após depor à CPI do Crime Organizado na Assembléia Legislativa há duas semanas. Sob cuidados médicos, o deputado passou o dia com febre alta e alimentando-se com soro. "Ele está muito debilitado e dificilmente prestará depoimento à CPI", disse o advogado Raimundo Lima ao deixar a residência de Caíca. Cinco agentes da Polícia Federal e três policiais militares dão proteção ao deputado.
Ao contrário do deputado José Gerardo de Abreu (sem partido), que nega as acusações de assassinato e participação em roubo de cargas e carretas, Caíca é réu confesso em pelo menos um crime. Em depoimento prestado à CPI do Crime Organizado, o deputado confessou a co-autoria no assassinato de Carlindo Souza Cunha, ex-funcionário de Gerardo de Abreu. Caíca assumiu também ter ficado sabendo, como deputado, da trama que resultou na morte de Stênio Mendonça, delegado que iniciou as investigações sobre roubo de cargas e carretas no estado do Maranhão. Por não denunciar a trama à polícia, Caíca é acusado de cúmplice no assassinato.
Na Assembléia Legislativa, a maioria dos deputados defende a cassação do mandato de Caíca. "Ele tem de pagar pelos crimes que cometeu e lugar de bandido é na cadeia", disse Manuel Ribeiro (PSD), presidente da casa. Os amigos do deputado, entretanto, afirmam que ele foi usado por Gerardo de Abreu, seu antigo patrão.

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