Deputado quer propor a CPI da camisinha
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quinta-feira, 15 de abril de 1999
Por Sônia Cristina Silva 
Brasília, 16 (AE) - O deputado católico Severino Cavalcanti (PPB-PE) está disposto a propor a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos preservativos para investigar se há interesses comerciais nas campanhas contra a aids promovidas pelo Ministério da Saúde. "O ministro da Saúde, José Serra, desta vez acertou ao reconhecer que é chegada a hora de por um fim a essa campanha irresponsável e enganosa do uso indiscriminado da camisinha, que vem vulgarizando o sexo, elevando a taxas alarmantes a gravidez entre crianças de 10 a 14 anos", opinou Cavalcanti.
O coordenador do Programa de Doenças Sexualmente Transmissíveis e Aids, Pedro Chequer, disse que a orientação do ministro para esse ano é de enfocar principalmente a educação nas campanhas sobre a aids. "Queremos estimular os jovens a adiarem a iniciação sexual porque essa é uma medida importante para proteger-se contra a epidemia", contou ele. "Mas para aqueles que já iniciaram suas vidas sexuais, vamos continuar recomendando com vigor o uso do preservativo", avisou.
"Não podemos abrir mão do único mecanismo de prevenção". O deputado, no entanto, acredita que as campanhas não estão fazendo os jovens usarem o preservativo. "Aliás, esses preservativos não protegem 100% contra a aids", disse ele. "Só o que as campanhas conseguem é banalizar o sexo". Para o deputado, o governo não pode continuar a "insistir em veicular uma propaganda enganosa, incitando crianças a usarem preservativo distribuídos nas ruas como se fossem bombons".
Cavalcanti é um velho conhecido dos parlamentares da chamada ala progressista. Faz parte de um grupo que vem conseguindo adiar a votação do projeto de lei da ex-deputada petista Marta Suplicy, que permite a parceria civil entre homossexuais. Para deixar clara sua posição, ostenta, com orgulho, em seu gabinete na Câmara, uma foto sendo abençoado pelo Papa João Paulo II. Cavalcanti também foi o autor da lei "Carla Perez", que proíbe a veiculação pela televisão, entre as 6 e 22 horas, de cenas de sexo, pornografia, violência e de "ações que desrespeitam os valores morais e éticos da sociedade"."Vou analisar o mercado de preservativos e conversar com os companheiros para ver se há chances de instalar uma CPI", explicou o deputado. Mas ele já está satisfeito com a intenção do governo de realizar campanhas educacionais para evitar a gravidez na adolescência. "Agora, reconhece que não se deve ensinar as crianças brasileiras a usarem a camisinha e sim convencê-las a não ingressar tão cedo na vida sexual", acredita.


