Brasília, 1 (AE) - O governo deverá comprar, através dos leilões eletrônicos do Banco do Brasil, 500 milhões de litros de álcool, e o deputado Francisco Graziano (PSDB-SP), vice-presidente da Comissão de Agricultura da Câmara, pretende sugerir que essa aquisição seja condicionada a um compromisso das usinas de manutenção dos empregos. "O governo está fazendo os leilões e ajudando a resolver o problema do preço do álcool, mas qual é o compromisso com a manutenção dos empregos?", questiona Graziano.
Para o deputado, se não houver um compromisso entre as partes, o governo vai gastar dinheiro público sem resolver o problema do desemprego que ameaça trabalhadores e fornecedores de cana. Nos dois primeiros leilões realizados, o governo comprou cerca de 130 milhões de litros de álcool e ajudou a provocar uma reação nos preços do mercado sucroalcooleiro, que vive a pior crise de sua história há 14 meses.
Trabalhadores dos canaviais e fornecedores de cana defendem a manutenção de 1,1 milhão de empregos gerados no setor sucroalcooleiro e o trabalho de 66 mil fornecedores de cana, a maioria trabalhando em regime de economia familiar. A partir da liberação do mercado de álcool, em março, os excedentes de produção de álcool - estimados em 2 bilhões de litros - derrubaram os preços para a indústria e atingiram os fornecedores de cana, que hoje estão recebendo de R$ 9 a R$ 10 por tonelada do produto entregue na indústria.
O deputado, que é um dos quatro parlamentares que integram o Conselho Interministerial do Açúcar e do álcool (CIMA), disse que o governo também precisa obter compromissos das montadoras de automóveis para garantir a produção de carros a álcool. "Elas recebem tantos benefícios para se instalar no País que deveriam produzir carros a álcool, de interesse dos brasileiros", disse.

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