Deputado propõe a quebra de sigilo telefônico de diretores de laboratórios
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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2000
Por Sônia Cristina Silva 
Brasília, 22 (AE) - O deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) pediu hoje à CPI dos Medicamentos a quebra do sigilo telefônico dos 21 participantes do encontro que reuniu dirigentes de laboratórios farmacêuticos, em julho do ano passado, em São Paulo. Os deputados suspeitam que o objetivo da reunião era estabelecer o boicote aos medicamentos genéricos. O parlamentar também pediu a convocação da secretária Natália Natali, encarregada de programar o encontro.
A principal preocupação dos deputados é que ainda não há provas concretas de tentativa de cartelização, fato que também vem sendo investigado pela Polícia Federal e pela Secretaria de Direito Econômico (SDE), ligada ao Ministério da Justiça. Hoje, os deputados não conseguiram confirmar a suspeita de que a reunião dos 21 laboratórios farmacêuticos, em julho do ano passado, em São Paulo, tenha sido realizada com o intuito de formação de cartel. Embora os deputados não tenham provas, estão convencidos de que esse foi o objetivo.
Hoje, no entanto, o diretor comercial da empresa Janssen Cilag, Ney Pauletto Júnior, negou que a reunião tivesse como fim uma suposta ação conjunta para boicotar remédios genéricos, mas não convenceu deputados que um encontro em dia de semana seria apenas "informal", para trocar idéias sobre questões de trabalho. O relator da CPI, deputado Ney Lopes (PFL-RN), desconfia que a reunião pode não ter sido para boicotar os genéricos, mas iniciar um processo de iniciativas conjuntas para
por exemplo, discutir preços combinados.
Lopes lembrou que, na época, nem havia genéricos nas farmácias. "Não se justificava uma reunião para boicotar genéricos se eles não existiam; só se fosse um boicote futuro", alegou Lopes. "O que interessa é saber se, a partir do encontro
houve a prática de preços combinados". Férias - O diretor comercial da Janssen Cilag disse, hoje, à CPI
que na época da reunião estava de férias e alegou não ter sido informado da realização do encontro, que contou com a participação de Ney Pauletto Júnior, atualmente gerente de promoção médica da empresa, e Nilson Ribeiro da Silva, que hoje já não pertence aos quadros da Janssen. "Eles não falavam em nome da empresa", disse Ochini.
"Não foi uma reunião de cartel", afirmou o diretor comercial da empresa. "Era um encontro de gerentes, onde, entre outra coisas, comentou-se sobre propaganda enganosa a respeito de genéricos", afirmou Rubens Ochini. Ele disse que os encontros são "informais" e ocorrem "para um bate-papo sobre o trabalho comum". Ochini, no entanto, foi pressionado pelos parlamentares e admitiu "não parecer convincente" que um encontro informal ocorresse em uma terça-feira, na Fundação Getúlio Vargas, durante todo o dia.
"Tenho certeza de que esta reunião foi autorizada pela presidência das empresas e acho que o principal objetivo era uma campanha contra genéricos", disse Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM). Os deputados insistiram em perguntar o motivo da existência de uma ata, se a reunião era informal. A elaboração do documento, segundo Ochini, foi iniciativa de Ney Pauletto Júnior. "Ele foi advertido por isso", afirmou o diretor comercial.
"Não obtivemos provas concretas, mas Ochini reforçou os indícios de cartelização", acredita o deputado Fernando Zuppo (PSDT-SP). "Ele não me convenceu de que não sabia do encontro e
por isso, vou pedir a quebra de sigilo telefônico dele, naquele período", informou. O relator considerou boa a idéia de convocar a secretária e quebrar o sigilo telefônico dos participantes do encontro.


