Brasília, 05 (AE) - O deputado estadual maranhense José Gerardo Abreu (PPB), apontado pela CPI do Narcotráfico como um dos braços da quadrilha com conexão em Campinas, deve ter o mandato cassado pela Assembléia Legislativa do Maranhão em um prazo de dez dias e pode ser preso, em seguida, sob acusação de ter comandado pelo menos 15 assassinatos, tráfico de drogas e roubo de carretas. Segundo o relator da CPI na Câmara, Moroni Torgan (PFL-CE), os crimes praticados pelo parlamentar, que prestou depoimento na quinta-feira, já somam cem anos de cadeia.
Na sessão em que foi tomado o depoimento, os integrantes da comissão tinham como objetivo provocar a prisão do deputado com insistentes tentativas de irritá-lo. Como indiciado, ele só poderia sair da sala da CPI preso por desacato, o que não ocorreu.
A estratégia da CPI acabou provocando momentos de humor por causa do despreparo de José Gerardo e das provocantes acusações dos integrantes da comissão permeadas de frases de efeito.
O presidente da CPI, deputado Magno Malta (PTB-ES), denunciou a ameaça de morte contra Moroni Torgan, enviada pelo 0800-619619, número de telefone criado para receber denúncias de casos de tráfico de drogas. "Nós não fomos desmamados com garapa e não vamos olhar para trás, porque nosso general é Cristo", disse Malta. Na tentativa de irritar Abreu, o relator começou a provocar o parlamentar do Maranhão. "Francisco Caíca (deputado estadual maranhense que revelou crimes praticados por ele e por Gerardo) seria burro de fazer revelações mentirosas; ninguém se incrimina assim", disse Torgan, acrescentando que as acusações só poderiam ser verdadeiras diante da confissão de culpa feita por Caíca em depoimento dado na semana passada no Maranhão.
"Você não acha uma idiotice Caíca se auto-incriminar?", questionou Torgan dirigindo-se para o deputado maranhense. "Não sei se ele é burro, não sou obrigado a saber", disse um irritado Gerardo, acrescentando que tudo não passava de uma armação de Caíca. "O senhor parece que está a 60 por hora em terra lavada em dia de chuva e de tamanco", declarou o deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS) diante das sucessivas negativas de Gerardo para revelar dados sobre a atuação do grupo de narcotráfico. Mattos acabou chamando atenção na sessão por causa das irônicas frases. "O senhor é um cara-de-pau; se fizer a barba vai sair lasca", provocou o parlamentar gaúcho para o depoente. Em um outro momento, ao falar sobre a suposta ligação com o tráfico de drogas, Gerardo, novamente, provocou risos. "Eu não gosto de dinheiro e acho que a desgraça é o tal de dinheiro", declarou durante a sessão, que foi transmitida por emissoras de televisão
entre as quais a TV Câmara.
Denúncia - A CPI, em conjunto com a comissão aberta pela Assembléia do Maranhão para apurar o crime organizado no Estado, vai encaminhar ao Ministério Público Estadual o pedido para que seja denunciado pelos crimes. O parlamentar foi submetido ainda a uma acareação com o traficante e ex-motorista da quadrilha Jorge Meres. No depoimento e na acareação, que terminaram na madrugada de hoje, Gerardo negou ligação com o grupo de traficantes.
Hoje, o Supremo Tribunal Federal (STF) negou o pedido do deputado para anular a instauração de processo disciplinar para sua cassação, alegando que as provas foram colhidas pela CPI de forma ilícita. A decisão foi assinada pelo ministro Octávio Gallotti.

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