Deputado pede quebra dos sigilos bancários de ex-secretários de Britto
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quarta-feira, 16 de junho de 1999
Por Ayrton Centeno 
Porto Alegre, 17 (AE) - Hoje, o deputado estadual Elvino Bohn Gass (PT) pediu à Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul a quebra do sigilo bancário dos ex-secretários de Desenvolvimento Econômico e Assuntos Internacionais Nélson Proença, da Fazenda César Busatto e de Energia, Minas e Comunicações Assis de Souza, correligonários do ex-governador Antonio Britto (PMDB). O presidente da CPI, Otomar Vivian (PPB), deveria decidir hoje qual o encaminhamento que daria ao assunto.
A questão do sigilo foi abordada no primeiro depoimento à CPI, prestado hoje pelo atual secretário de Desenvolvimento Econômico e de Assuntos Internacionais, José Carlos Vianna Moraes. Por iniciativa própria, Moraes ofereceu à direção da CPI a abertura de seu sigilo bancário e pediu que todas os envolvidos nas negociações com a direção da Ford do Brasil para a instalação de uma montadora no Estado, no atual governo e no anterior, fizessem o mesmo.
O depoimento dele começou à tarde e deveria continuar durante parte da noite. Articulada por deputados do PMDB, PFL, PPB, PTB e PSDB, partidos que integraram o governo anterior e que possuem maioria no Legislativo - 35 contra 20 -, a CPI da Ford, como é mais conhecida, terá duração de 120 dias, prorrogáveis por mais 60.
Pretende averiguar as razões da desistência da Ford de instalar uma montadora em Guaíba (RS). Ontem (16), a empresa norte-americana anunciou a construção da unidade na Bahia.
A fábrica seria instalada no Rio Grande do Sul em troca de isenções fiscais, mais um aporte de R$ 418 milhões provenientes dos cofres estaduais. Uma parcela dos recursos seria repassada à Ford sob a forma de empréstimo favorecido - R$ 210 milhões, sem correção monetária, com juros de 6% anuais e com 15 anos para pagar, sendo cinco de carência. O restante seria composto por obras públicas e privadas de infra-estrutura, cujo custo o Estado suportaria. Afirmando que não dispunha dos R$ 418 milhões, o governo gaúcho apresentou uma contraproposta para a permanência da montadora. Mas a empresa norte-americana não respondeu e, após seis reuniões, se retirou das negociações.
Para a oposição, o governo é responsável pelo descumprimento do contrato. Entende que o Executivo poderia ter usado R$ 200 milhões que estariam reservados para a Ford em conta vinculada do Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul) e que a planta de Guaíba produziria entre 70 mil e 200 mil empregos diretos e indiretos. O governo responde que o impacto na geração de empregos foi superestimado no caso da Ford. O governo, baseado em levantamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), repara que o setor automobilístico é o 34º em produção de empregos no Brasil, perdendo para a agroindústria, vestuário e a construção civil, entre outros segmentos.
Nos próximos dias, a CPI pretende ouvir o prefeito de Guaíba, Nelson Cornetet (PTB). Também será chamado a depor o diretor-jurídico da Ford do Brasil, Waldemar Mussi.


